segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Uma pequena reflexão

Sinto que o pensamento de compaixão e de amor é a coisa mais preciosa que existe. É algo que só nós, seres humanos podemos desenvolver.E se tivermos um bom coração, um coração caloroso, sentimentos calorosos, seremos felizes e satisfeitos conosco mesmos, e nossos amigos irão experimentar uma atmosfera pacífica e amigável também. Isso pode ser experimentados comunidade para comunidade, país para país, continente para continente.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

NIRVANA

Na época do Buda, nirvana (nibbana em Pali) tinha o seu próprio verbo: nibbuti. Que significava “extinguir” como uma chama. Porque se pensava que o fogo estava num estado de aprisionamento enquanto ardia – apegado e aprisionado ao combustível do qual se alimentava – a sua extinção então era vista como o desapego ou desatamento. Extinguir era o mesmo que tornar-se desatado, ou seja, o fogo só existe mediante certas causas e condições, combustível, comburente, oxigênio e etc..., se não tiver uma delas o fogo não existe mais. Se eliminarmos o ódio, o apego e a ignorância o samsara desaparece e existirá somente o estado de plena iluminação.

Agora que nirvana foi incorporado ao nosso vocabulário, seria bom se tivesse o seu próprio verbo para também transmitir a noção de “estar desatado.” Em geral dizemos que uma pessoa “alcança” nirvana ou “entra em” nirvana, sugerindo que nirvana seria um lugar para onde podemos ir. Mas, sem dúvida nenhuma, nirvana não é um lugar.

domingo, 24 de outubro de 2010

Os Budas não são sectários.

Os Budas alcançaram a iluminação para beneficiar a todos os seres e não apenas os budistas. Assim sendo, eles também se manifestam como professores de outras religiões e dão instruções de acordo com as necessidades e inclinações dos diferentes praticantes. Os Budas ajudam os não budistas a evitar os renascimentos nos três reinos inferiores, pois as outras religiões tem métodos para abandonar as ações negativas e cultivar virtudes. Os Budas ajudam os que não são religiosos, pois têm o poder de se manifestarem sob qualquer forma que tragam benefício aos seres vivos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

DELUSÕES E DHARMA


Existem 84.000 delusões distintas em nossa mente e todas são causas de doença interior e dor mental.
A doença interior nunca teve um começo e, até que abandonemos nossos estados mentais deludidos, não terá um fim.
Se não superarmos, por exemplo, o apego, ele estará sempre em nossa mente, como uma sede insaciável, originando sentimentos de insatisfação e frustração. Do mesmo modo, as outras delusões, como raiva, inveja e egoísmo, causam dor mental sempre que surgem.
Apesar de estarmos doentes desde tempos sem-início, no momento atual temos a oportunidade de curar totalmente nossas enfermidades.
Buda Shakyamuni deu 84 mil instruções (Darmas) distintas para erradicá-las e os humanos, ao contrário dos outros seres vivos, têm a oportunidade de receber tais instruções e de colocá-las em prática.
Confiando nos ensinamentos de Buda, podemos usar nossa vida humana para, aos poucos, reduzir e, por fim, abolir todas as delusões, bem como a dor e o sofrimento por elas originado. (Geshe-la, Introdução do budismo, p. 28, 29)

domingo, 3 de outubro de 2010

MAIS UMA REFLEXÃO SOBRE VACUIDADE.

Certa vez Sadaprarupdita perguntou a Dharmodgata de onde veio e para onde foi o Buda que apareceu para ele em uma visão e obteve a seguinte resposta de seu Mestre.

" Os Budas não vêem de lugar algum e não vão para lugar algum. Visto que carecem de existência inerente". Para ilustrar o que dizia, usou o exemplo do som de um alaúde e perguntou: " De onde vem o som do alaúde e para onde vai? Vem das cordas? Do interior do alaúde, dos dedos do músico, do esforço que faz para tocar ou de algum outro lugar? E quando o som acaba para onde vai?"


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Uma pequena reflexão sobre a vacuidade

O céu completamente claro nos parece azul. Sabemos que a natureza real do céu é um mero vazio, como o espaço que nos rodeia. Embora o céu nos pareça um dossel azul, se tentarmos chegar a ele nunca encontraremos um objeto azul; só existe o espaço. No entanto, quando olhamos para o alto, vemos um azul e apontamos para isso e dizemos que é o céu. Logo, podemos dizer que o azul que vemos diretamente é a manifestação de um céu vazio. Isso significa que, a partir do céu vazio, o azul se manifesta. Da mesma forma a partir da vacuidade da forma, a forma se manifesta. Todos os fenômenos também são manifestações de sua vacuidade.

domingo, 26 de setembro de 2010

Sobre as imagens de Buda


Se consideramos a imagem de Buda é o próprio Buda e fizermos prostrações, oferendas e pedidos diante dela, nossas ações terão o mesmo valor ou mérito que teriam se estivessem sendo feitas diante de um Buda em pessoa. Buda Sakyamuni disse:

"Agora meus quatro discípulos e outros fazem oferendas pessoalmente. Com fé, muitas pessoas farão, no futuro, oferendas diante de uma imagem que represente a minha forma. Essas ações tem o mesmo significado."

Com a mente impura que temos atualmente só há duas maneiras de vermos um Buda: na forma de nosso guia espiritual ou na forma de uma imagem, com a que temos em nosso altar. Devido as nossas obstruções cármicas, percebemos essas formas como impuras, mas nossas obstruções não existem por si só. A medida que nossa mente se tornar mais virtuosa, iremos percebendo as imagens de Buda de outra maneira. Quando nossa mente for pura, perceberemos a imagem de Buda como sendo o seu corpo- emanação, e não como uma mera obra de arte. Quando tivermos alcançado a concentração do Dharma continuum, vamos percebê-la como o seu corpo emanação supremo e poderemos receber instruções diretamente dele, assim como Atisha recebia as instruções da estátua de Arya Tara. Quando atingirmos o primeiro solo espiritual de um Bodhisattva, perceberemos a imagem de Buda como o seu corpo-fruição e, quando atingirmos a plena iluminação, perceberemos a imagem de Buda como o seu corpo verdade.

Em tempo: As imagens do Buda gordo surgiram durante a dinastia Sung (960 -1275) na China.As imagens do Buda gordo representam a fortuna interior e a prosperidade para o bem. Sakyamuni Buda era magro, porém as imagens do budismo chinês tem o mesmo valor e devem ser respeitadas igualmente.

Sobre a foto da ilustração: Localizada em Ngong Ping, em Hong Kong, a estátua de Buda mede 34 m de altura e pesa 280 t. Para acessá-la, os visitantes precisam subir 268 degraus. O monumento foi inaugurado em 1993, levou quase três anos para ser construído

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A origem do sofrimento

Cada vez que temos um problema, pensamos que foi causado por circunstâncias particulares e que, mudando-as, o problema desaparecerá. Culpamos as outras pessoas, nossos amigos, nossa comida, o governo, o tempo, a sociedade, a história, e assim por diante. Entretanto, circunstâncias exteriores como essa como essas não são as causas de nossos problemas problemas. Todos são causados, principalmente por nossas ações passadas e, quando estão amadurecendo, não há mais como como evitá-los. Portanto, em vez de fugir deles através de novas situações de vida, devemos identificar tais experiências dolorosas como conseqüência de nossas próprias ações prejudiciais e gerar um desejo sincero de abandonar suas causas. Em outras palavras, a resposta mais construtiva a nossos problemas consiste em gerar sincera renúncia, reconhecendo que o sofrimento que criamos para nós mesmos são a verdadeira natureza do nosso samsara.

Devemos meditar nos sofrimentos e chegarmos a um firme conclusão:

Já experiencei tais sofrimentos muitas e muitas vezes no passado e, se não atingir a libertação, terei de experienciar tudo de novo, repetidamente, no futuro. Portanto, preciso escapar do samsara.

Quando essa determinação surgir com clareza e precisão em nossa mente, faremos a meditação posicionada.

Fonte: extraído do livro Caminho Alegre da Boa Fortuna de Gesh Kelsang Gyatso

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Buda e a história de Magadabatri

Na época de Buda Shakyamuni, vivia uma jovem senhora chamada Magadabatri, que tinha imensa fé em Buda e em seus discípulos.

Ela morava em outro país com o seu marido, que não era budista, e a família dele.

Embora a família fosse frequentemente visitada por um venerável professor não-budista, Magadabatri não se sentia satisfeita com isso, e não se cansava de elogiar as qualidades do seu próprio professor, Buda Shakyamuni.

De tanto ouvi-la, a sogra começou a sentir grande fé em Buda e pediu a Magadabatri que o convidasse a visitá-los.

Quando ela lhes prometeu que Buda e seu séquito chegariam no dia seguinte, todos custaram a acreditar. Disseram que, mesmo se Buda já estivesse a caminho, era impossível que chegasse em tão pouco tempo.

Magadabatri subiu ao telhado da casa, ofereceu flores e incenso e pediu a Buda que viesse visitá-la, recitando a prece de convite ao Campo de Mérito.

Buda escutou o pedido da moça por meio de seus poderes de clarividência e convocou seus quinhentos discípulos Destruidores de Inimigos, dizendo que aqueles que tivessem poderes miraculosos poderiam acompanhá-lo no dia seguinte.

Um deles, não querendo ser deixado para trás, meditou a noite inteira a fim de obter os poderes miraculosos necessários para voar ao lado de Buda!

Enquanto isso, a sogra de Magadabatri avisou toda a vizinhança que Buda Shakyamuni chegaria naquele dia, acompanhado por quinhentos discípulos: "Magadabatri contou-me que eles virão voando diretamente das terras de seu pai!".

Houve grande surpresa e excitação. Formaram-se grupos nos pontos mais altos da vizinhança, e todos olhavam para o céu, tentando descobrir de qual direção Buda viria.

Para beneficiar a todos, Buda emanou dezoito formas similares à sua, uma em cada portão da cidade.

Embora um único Buda tenha entrado na casa de Magadabatri, todos os habitantes da região conseguiram vê-lo e desenvolveram profunda fé nele. Daí em diante, engajaram-se plenamente na prática do Darma.

FÉ, a fonte de todas aquisições.


adaptado do livro Caminho Alegre da Boa Fortuna de Gesh Kelsang Gyatso (p66)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A DOENÇA HUMANA DA INSATISFAÇÃO

Incontáveis são os desejos mas, por mais que nos esforcemos, temos sempre a impressão que nunca foram satisfeitos. Mesmo quando obtemos o que queremos, não é do jeito que esperávamos. O objeto é nosso, mas não extraímos satisfação por possuí-lo. Por exemplo, se o nosso sonho for enriquecer, quando tivermos enriquecido a vida não será como havíamos imaginado e não acharemos que nosso desejo não foi satisfeito. Isso acontece porque nossos desejos não diminuem a medida que nossa riqueza aumenta. Quanto mais temos, mais queremos. A riqueza que perseguimos nunca será encontrada, porque não há riqueza capaz de saciar nossos desejos. Para piorar as coisas, ao tentar obter um objeto almejado, criamos novas ocasiões de descontentamento. Cada objeto de desejo vem acompanhado de outros indesejáveis. Por exemplo, com a riqueza vem os impostos, insegurança e complexos assuntos financeiros. Essas implicações indesejáveis impedem-nos de sentir que realmente obtivemos o que queríamos.
Refletindo vamos ver que nossos desejos são descomedido. Desejamos tudo que há de melhor no samsara ( o renascimento e a vida descontrolada)- o melhor emprego, o melhor parceiro, a melhor reputação, a melhor casa, o melhor carro, as melhores férias. Qualquer coisa que não seja a melhor nos deixa um sabor de decepção. Assim, continuamos a procurar sempre, sem nunca encontrar o que queremos. Na realidade, nenhum objeto impermanente é capaz de nos oferecer a satisfação completa e perfeita que desejamos. Coisas melhores estão sempre sendo produzidas.Propagandas anunciam por toda parte a a chegada da última novidade do mercado mas, após alguns dias, chega outra que supera da véspera. A produção de novidades para cativar nossos desejos é interminável.
Talvez pensemos que as pessoas que levam uma vida mais simples no campo estejam contentes. Entretanto, um olhar mais atento revela que procuram mas não acham o que querem. Não desfrutam de uma verdadeira paz e satisfação, e suas vidas estão cheias de problemas e ansiedades. Seu sustento depende de muitos fatores incertos e completamente fora de controle, como por exemplo, o tempo. Nas cidades os homens de negócio tampouco passam imunes pelo descontentamento. Ao caminhar elegantes e segurando suas pastas de executivos, costumam causar impressão de eficiência e autoconfiança. Mas as aparências enganam e e seus corações estão repletos de insatisfações. Continuam a buscar, sem nunca encontrar o que almejam.
refletindo sobre esse ponto, podemos ser levado a concluir que a solução para obter o que queremos está em renunciar a todas as nossas posses. Contudo, se checarmos, veremos que pobres também não acham que procuram. Eles não dispõem de necessidades básicas de sobrevivência. Mudar frequentemente de situação também não evita tal sofrimento. Alguém pode pensar que novos empregos, novos parceiros ou viajar pelo mundo afora são coisas que nos levam a obter o que desejamos. Porém, mesmo que viajássemos por todos os lugares do globo e tivéssemos uma nova amante a cada parada, continuaríamos a buscar um lugar diferente e uma amante nova. No samsara ( a vida sem controle, levados de uma situação a outra pela ondas das não virtudes e do carma) não existe a real satisfação de nossos desejos. como disse o VII Dalai Lama(( o atual é o XIV) :
" Todos os que vejo em posição superior ou subalterna, ordenados ou leigos, homens ou mulheres diferenciam-se somente na aparência, roupas comportamento ou status. Na essência, são todos iguais, todos experienciam problemas na vida.
Cada vez que temos um problema, pensamos que foi causado por circunstâncias particulares e que, mudando-as, o problema desaparecerá. Culpamos as outras pessoas, nossos amigos, nossa comida, o governo, o tempo, a sociedade, a história e assim por diante. Todos são efeitos, tudo é causa e efeito. Energia é causa, matéria é efeito. Nossas ações, pensamentos e sentimentos passados são a causa a energia...a vida é efeito. Portanto, em vez de fugir dos efeitos atráves de novas situações na vida, devemos identificar tais experiências dolorosas como conseqüência de nossas próprias ações prejudiciais e gerar um desejo sincero de abandonar suas causas. Essa sincera renúncia e uma satisfação com que temos faz com que aproveitemos cada minuto de nossa vida com alegria. Um mente alegre muda nossa energia, muda nossa vibração e faz com que coisas boas vão acontecendo naturalmente e o melhor sempre satisfeito. Alegria, chama alegria.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A HISTÓRIA DE SHANTIDEVA


Shantideva nasceu como príncipe herdeiro do trono de uma família real em Gujarat, um reino que era situado ao oeste da Índia. Seu pai era o rei Kushavalarmana ( Armadura de Virtude) e sua mãe era reconhecida como uma emanação de uma Buda Feminino Vjarayoguini. No seu nascimento o príncipe recebeu o nome de Shantivarmana ( Armadura da Paz).

Certa vez Shantivarmana fez um retiro de meditação, ele próprio também recebeu a visão direta de Manjushri ( O Buda da Sabedoria) e muitos outros augúrios proféticos.

Pouco tempo depois, o rei, seu pai faleceu e na noite anterior a coroação de Shantideva como herdeiro do trono. Manjushri lhe apareceu em um sonho e lhe orientou que devia deixar o trono e tornar-se um monge.Assim que acordou, ele fugiu do palácio e foi para floresta meditar. Manjushri lhe apareceu novamente e lhe deu uma espada simbólica de madeira e ao empunha-la obteve oito realizações perfeitas. Viajou então para o famoso mosteiro de Nalanda onde obteve o nome de ordenação de Shantideva ( o Deus da Paz)

Em Nalanda secretamente a noite praticava métodos profundos e exigentes do Tantra e dormia durante o dia. Os demais monges não sabendo que de fato ele fazia, achavam que ele apenas dormia e jocosamente apelidaram de o monge das 3 realizações: " comer, dormir e defecar". Julgando que Shantideva era uma ameaça a boa reputação do mosteiro resolveram armar uma cilada, convidaram para proferir uma palestra e assim sua ignorância seria exposta, pois erroneamente acreditavam que ele nada sabia sobre o Dharma ( a Lei, a Doutrina). Quando chegou o dia da palestra e da humilhação pública, Shantideva tomou o seu lugar e para o espanto geral proferiu um discurso em forma de poema que quando transcrito tornou- se o Guia do Estilo de Vida do Bodhisatwa ( clique aqui para ler o livro, eu pessoalmente recomendo a versão do meu guia espiritual, Gesh Kelsang Gyatso , fonte de tudo que aprendi sobre Budismo) até hoje( pois foi escrito no ano 900 dc) é o maior tratado de de orientações e instruções para se tornar um Bodhisatwa um ser destinado a plena iluminação. Enquanto Shantideva explicava o que seria o nono capitulo disse: Tudo é como o espaço e então levitou e subiu mais alto ainda e dessa forma foi proferido os dois últimos capítulos.

Logo em seguida foi para o sul da Índia onde havia uma grande fome e então proclamou: "Amanhã farei um ato de grande generosidade. No dia seguinte reuniu-se centenas de pessoas e então com uma única cuia de arroz alimentou todas elas. Por causa desse e de muitos outros grandes feitos as pessoas daquela região geraram grande fé em Shantideva e adotaram o estilo de vida Budista.

Ao longo de sua vida ele realizou incontáveis feitos para difundir os ensinamentos de Buda e ajudar a todos os seres.



terça-feira, 20 de julho de 2010

Sabedoria e conhecimento

A sabedoria é baseada sobre o conhecimento. Mas o conhecimento nem sempre é sabedoria. Não é um paradoxo. Existe um conhecimento objetivo, que é uma coleção de fatos irrelevantes. O homem sábio custa dar sua opinião, pois tem que descobrir os intangíveis. O homem que só tem o conhecimento é muito rápido em seus conceitos, pois não reconhece nem vê as vastas forças impoderáveis que operam no mundo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A mente muito sutil

Nas escrituras do sutra e do mahamudra, está dito:

" Se realizares tua própria mente, torna-se-ás um Buda ( termo que em sânscrito quer dizer desperto, iluminado); não deves procurar a budeidade em nenhum outro lugar. "

Está instrução é muito profunda. Indica que a mente pode ser conhecida em diferentes níveis. É possível compreender as mentes densas( todas as nossas mentes despertas normais), as sutis e a muito sutil( durante o sono, durante a morte; e para os praticantes do estágio de conclusão do tantra... no equilíbrio meditativo) e cada qual pode ser compreendida quer intelectualmente, por meio de uma imagem genérica, quer diretamente, por meio de experiência. Quando realizarmos a nossa mente muito sutil de modo direto, atingiremos uma realização superior da Clara luz e estaremos bem próximos de nos tornarmos um Buda. Em pouco tempo, essa realização se transformará na sabedoria onisciente de um Buda e nós, num grande ser iluminado.

Mas o que é a mente muito sutil? Mente sutil também é conhecida como mente raiz, por que todas as mentes nascem dela e nela voltam a se dissolver, é somente quando tivermos consciência dela é que lembraremos com clareza todas as nossas vidas passada, pois as mentes densas mudam vida após vida, não são elas que reencarnam e sim a muito sutil. Outro nome dado é de mente residente continua, por ser a única que sobrevive de uma vida para outra, se localiza em um diminuto vaculo, do tamanho de um grão de ervilha, no interior do canal central, na altura e no centro do chacra cardíaco. Na minha opinião, o famoso túnel que as pessoas que quase morreram relatam ter visto é o canal central, ou seja, as mentes se reuniram na mente raiz e dentro do canal central e por ali estavam saindo do corpo.

O importante é termos consciência de que mente e corpo são distintos e separados. Nós não somos o corpo! Praticantes que dominaram a pratica de transferência de consciência sabem disso por experiência própria, porque são capazes de ejetar a mente do corpo e ir para qualquer lugar, podendo até entrar no corpo de outros seres. Além disso, quando adormecemos e sonhamos a mente deixa o corpo físico e vaga por mundos de sonho, experienciando divertimentos e sofrimentos onírico, ao passo que o corpo físico permanece no mesmo lugar. No momento, muitos não são capazes de testemunhar essa separação, mas os meditadores realizados conseguem reter a continua -lembrança durante o sono e o sonho, percebem sua própria mente deixando o corpo físico, viajando por diferentes mundos e, mais tarde quando o sonho acaba regressando ao corpo.


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Não tente agradar ninguém

Não tente agradar um Ser Humano, pois isso é impossível.

Vivemos no samsara, e uma das características do samsara é a insatisfação. Ninguém está plenamente satisfeito no samsara. Se uma pessoa tem um milhão, no dia seguinte vai querer dois. Se é alcoólatra e beber uma piscina de cerveja, no dia seguinte vai querer um oceano e assim sucessivamente para cada caso. Logo, é impossível agradar sempre os seres humanos.

Procure ter compaixão e agir com sabedoria com todos os Seres conforme o compromisso assumido perante os Budas e Bodhisatwas, mas não espere alguma gratidão, pois a insatisfação e doença presente nas mentes humanas.

domingo, 23 de maio de 2010

SÍMBOLOS SAGRADOS TIBETANOS

OS OITO SÍMBOLOS AUSPICIOSOS se originaram em um grupo de símbolos indianos utilizados pela realeza e eram apresentados em Cerimônias Especiais como a coroação de um rei. Sinta-se coroado agora a um novo nível em sua vida individual, abra-se para receber novas Bênçãos de Luz dos Budas e do Universo.

Para que possamos meditar neles nestes momentos de mudanças e escolhas, a sugestão é olhar para os desenhos e ler as explicações todos os dias, por 1 semana no mesmo período: manhã, tarde ou noite - assim você vai criando a egrégora de proteção e abundância em seu lar e em sua vida através de Símbolos Milenares que trazem a Tradição Tibetana da Co-Criação.
Símbolos Sagrados levam suas vibrações a níveis diferentes de nossos corpos: físico, mental, emocional e espiritual .



O Guarda-sol
Simboliza toda a atividade de preservação voltada a todos os seres, contra a doença, contra agressão, contra forças ameaçadoras, obstáculos e tudo o mais nesta existência. Este é um símbolo de proteção e realeza. A sombra protege do calor e do sol e o frescor de sua sombra representa proteção contra o sofrimento, desejo, obstáculos e doenças. Tradições diferentes desenvolveram muitos tipos de guarda-chuvas: a parte de cima simboliza sabedoria e o tecido que protege simboliza compaixão.





O Peixe Dourado representa a emancipação de uma consciência individual de todo sofrimento, a qual conseqüentemente leva à futura libertação espiritual. Simbolizam felicidade, devido à sua liberdade na água, fertilidade e abundância, devido à sua capacidade de se multiplicar rapidamente.


Vaso Do Tesouro Simboliza longa vida, saúde e prosperidade. Ele é feito em argila como um bebedouro de água na tradição indiana. Os desenhos tibetanos trazem pétalas de Flor de Lótus.O tecido é seda e vem dos patamares dos deuses. A parte superior é selada com uma árvore de pedidos de boa sorte, com a raiz retendo água da longevidade para criar todos os tesouros que possuem qualidades especiais e não importa quanto possa ser retirado do vaso, ele sempre permanece cheio. Simboliza Vida Longa e Prosperidade.





O Lótus Branco Simboliza pureza de corpo, discurso e mente e o florescimento das ações na liberação da felicidade. O lótus é símbolo de pureza expressada em diferentes formas. É capaz de crescer e florescer do lodo, portanto é um símbolo de Geração Divina. O lótus no trono implica a concepção imaculada, portanto é Divino. As Divindades são sempre
representadas segurando um lótus como símbolo de suas qualidades de pureza, compaixão,renúncia e perfeição.




A Concha Dextrógira A concha simboliza a difusão dos ensinamentos do Dharma e o despertar do sono da ignorância. A concha vem das estórias indianas antigas que descrevem como os heróis míticos carregavam grandes conchas.É um símbolo de Poder e seu som afasta os maus espíritos e previne a aproximação de criaturas que possam causar danos ou que atraiam desastres naturais.




O Nó Sem Fim Um diagrama geométrico que simboliza a unidade da sabedoria e grande compaixão, e o caráter ilusório do tempo. Este nó não tem começo nem fim, e simboliza a sabedoria e a compaixão ilimitadas. Indica a continuidade da vida conforme as linhas se sobrepõem na realidade da existência humana.




O Estandarte de VitóriaA bandeira marca a vitória das doutrinas positivas sobre a morte, a ignorância e todas as negatividades deste mundo. Originou-se nos estandartes militares de vitória carregados pelos indianos nobres. Ela simboliza os métodos de ultrapassar problemas. Também traz o desenvolvimento do conhecimento, sabedoria, compaixão, meditação e votos éticos.



Roda Do Dharma Representa o Dharma e a própria iluminação, a roda simboliza o evoluir da Lei Universal e dos ensinamentos dos iluminados, em teoria e prática. A roda é um símbolo antigo da CRIAÇÃO, NOBREZA E PROTEÇÃO, que representa MOVIMENTO E MUDANÇA.
É também DHARMACHACRA ou RODA DA LEI, que no Tibet significa a RODA DA TRANSFORMAÇÃO ou DA MUDANÇA ESPIRITUAL. Também significa que ultrapassarmos todos os nossos obstáculos e ilusões.

domingo, 16 de maio de 2010

A PERFEIÇÃO DE GENEROSIDADE OU DE DAR

Para fazer a pratica de dar coisas materiais, primeiro contemplamos as desvantagens da avareza e os benefícios de dar, e então, nos dedicamos a pratica efetiva. No sutra Perfeição de Sabedoria condensado, Buda ensina que a avareza leva à pobreza e ao renascimento como espírito faminto. Mesmo nesta vida, a avareza causa sofrimento. È uma mente estreita e incomoda, que nos faz experienciar isolamento e impopularidade. Dar, por outro lado, é uma mente alegre, que nos trará riquezas e recursos abundantes no futuro..

Não há porque nos aferrarmos às nossas posses, pois riqueza só tem sentido quando é distribuída ou usada para beneficiar os outros. Já que na morte não teremos outra escolha a não ser nos separar das nossas posses, é melhor fazê-lo agora, tirando, assim, algum proveito por tê-las possuído. Além do mais, se na hora da morte estivermos muito apegados aquilo que temos, isso nos impedirá de morrer em paz e talvez até de termos um renascimento afortunado.

Quando saímos de férias, tomamos o cuidado de levar dinheiro suficiente para toda nossa viagem. Muito mais importante que isso, no entanto, é garantir que viajaremos para nossas vidas futuras com virtude, ou mérito, suficiente para obter todos os recursos que iremos precisar. Nossa pratica de dar é o melhor seguro contra a pobreza futura.

Devemos nos desfazer de nossas posses apenas no momento certo, ou seja, quando isso não nos causar nenhum impedimento a nossa prática espiritual nem colocar em risco a nossa vida e quando a pessoa que receber a doação puder extrair benefícios significativos dela. Caso contrário, não devemos doar nossos bens, mesmo que nos peçam para fazê-lo. Por exemplo, se percebemos que um presente prejudicará alguém, não devemos dá-lo. É preciso considerar todas as implicações da nossa ação, inclusive como ela nos afetará outras pessoas além daquela que receberá o presente. Também devemos conservar s coisas que são necessárias à nossa pratica de Dharma. Se nos desfizermos delas, indiretamente prejudicaremos os outros, já que vamos criar obstáculos ao nosso progresso rumo à iluminação.

Devemos dedicar mentalmente tudo o que temos aos outros, mas dar-lhes de fato, apenas quando for o momento mais adequado. Esse modo habilidoso de pensar é por si, uma forma de dar. Instituições de caridade, por exemplo, não repassam imediatamente todos os donativos que recebem, mas reservam uma certa quantia para situações de maior necessidade. Apesar de guardarem o dinheiro, essas instituições não consideram propriedade sua; simplesmente pensam que estão cuidando dele para os outros, até que surja uma necessidade. Se encararmos todas as nossas posses do mesmo modo, estaremos praticando a generosidade o tempo todo.

O mérito que acumulamos com a prática de generosidade de muitos outros fatores além do valor da doação. Um deles é a respeito de quem é beneficiado. Existem três tipos classes de seres para os quais é extremamente meritório dedicar nossa pratica de generosidade: os seres sagrados, como os Budas e Bodhisatwas; pessoas que foram muito bondosas para conosco, como nossos pais; e aqueles que são muitos necessitados, como os pobres, doentes e deficientes. Outro fator importante é a nossa motivação. È mais meritório dar migalhas a um passarinho com pura compaixão do que dar um anel de brilhante com apego. Evidentemente que a melhor motivação é a bodichitta (ou seja, acumular méritos para atingir a iluminação para beneficiar a todos os seres). Nesse caso a virtude que criamos é ilimitada. Além da generosidade de dar coisas materiais podemos dar o Dharma e destemor.

  • Generosidade de dar o Dharma

Há muitas maneiras de dar o Dharma. Se ensinarmos com boa motivação mesmo que uma única palavra de Dharma, estamos fazendo essa prática. Isso é muito mais benéfico do que qualquer presente material, porque coisas materiais ajudam somente nessa vida, ao passo que o Dharma pode auxiliá-los nessa vida e em todas as vidas futuras. Podemos dar o Dharma de muitas outras formas; por exemplo, dedicando nossas virtudes para que todos os seres desfrutem de paz e felicidade ou sussurrando mantras no ouvido dos animais

  • Generosidade de dar destemor.

Dar destemor é proteger os outros seres vivos de medos e perigos. Podemos, por exemplo, salvar pessoas de incêndios ou desastres naturais ou defende-las de violência física ou ainda, salvar animais e insetos que caíram na água ou foram capturados. Mesmo que não possamos socorrer os que estão em perigos, podemos dar destemor fazendo preces e oferendas para que se livrem das ameaças. Também podemos dar destemor rezando para que os outros se libertem das suas delusões, especialmente da delusão do auto agarramento, a verdadeira origem de todo o medo.

  • Concluindo.

Conta-se que certa vez, houve uma grande fome na Índia e que um bodhisatwa ao ver um tigre passando fome, sua compaixão foi tamanha que deu o próprio corpo para alimentar aquele animal. E nós, muitas e muitas vezes, não damos sequer um prato de comida que esteja sobrando para alguém que passa pedindo na porta de casa.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A PERFEIÇÃO DE PACIÊNCIA

Precisamos de paciência mesmo que não estejamos interessados no desenvolvimento espiritual, porque sem paciência ficamos vulneráveis a ansiedade, frustração e inquietação e dificilmente conseguimos manter relações harmoniosas.

Paciência é o oponente da raiva, que, por sua vez, é o mais poderoso destruidor de virtudes. Podemos ver nossa experiência quanto sofrimento nasce da raiva. Por causa dela, não valíamos corretamente as situações e somos compelidos a agir de maneira deplorável. Ela destrói nossa paz mental e perturba todos ao nosso redor. Mesmo as pessoas que normalmente gostam de nós afastam-se quando nos vêem com raiva. A raiva pode nos levar a repudiar ou insultar nossos pais e, quando intensa, é capaz de nos impelir a matar pessoas que amamos ou até a tirar nossa própria vida.

Geralmente, a raiva é desencadeada por algo insignificante, como um comentário que tomamos como ofensa pessoal, um hábito que achamos irritante ou uma expectativa frustrada. A partir de pequenas experiências como essas, a raiva tece uma fantasia elaborada, exagerando os aspectos negativos e desagradáveis da situação e criando razões e justificativas para sentimentos de frustração, ultraje ou ressentimento. Então falamos e fazemos coisas que prejudicam os outros, ofendendo-os transformando pequenas dificuldades em grandes problemas.

Se alguém nos perguntasse quem causou as guerras nas quais tantos seres humanos morreram, teríamos que forma as mentes raivosas. Se as nações estivessem repletas de pessoas calmas e pacíficas, as guerras não poderiam sequer começar. A raiva é o maior inimigo dos seres vivos. Ela nos prejudicou no passado , prejudica-nos agora e, se não for superada por meio da prática de paciência, continuará a nos prejudicar no futuro. Como disse Shantideva:

" esse inimigo, a raiva, nem tem outra função além de me prejudicar."

Inimigos externos de forma mais lenta e menos sutil e , se praticarmos paciência em relação a eles, poderemos até conquista-los e transforma-los em amigos. Com a raiva, ao contrário, não existe conciliação possível. Se formos brandos com ela, seremos ainda mais prejudicados. Além disso, enquanto inimigos externos só conseguem nos prejudicar numa única vida, a raiva pode fazê-lo em muitas vidas futuras. Portanto, é preciso eliminar a raiva tão logo ela desponte em nossa mente, pois se não fizermos, ela rapidamente se converterá num fogo voraz que consumirá todo nosso mérito.

A paciência, por outro lado, ajuda-nos nesta vida e em todas as vidas futuras. Como disse Shantideva:

"Não existe mal maior que a raiva
Nem virtude maior que a paciência."

Trecho extraído do livro o voto do Bodhisatwa de Gesh Kelsang Gyasto

segunda-feira, 19 de abril de 2010

COMO OS BUDISTAS VÊEM AS OUTRAS RELIGIÕES



Esse é meu guia espiritual Gesh Kelsang Gyatso

terça-feira, 6 de abril de 2010

Por que os budistas fazem oferendas e prostrações?

Se os Budas são onipresentes, oniscientes e onipotentes...porque precisam de oferendas e prostrações? Não precisam!!! Quem precisa somos nós!!Explico: Fazer oferendas e prostrações é um ato de fé e imaginação,a intenção é sempre que determina a ação, aqui nesse blog, já explicamos isso diversas vezes, pois ao semear um pensamento cultivamos um hábito, ao cultivar um hábito iremos ter um caráter, ao ter um caráter iremos colher um destino. Ao cultivarmos o ato de prostrar estamos plantando a semente da humildade em nós. Ao praticar dar oferendas, estamos semeando a generosidade, acostumando a nossa mente de dar as coisas.

Para que essa pratica tenha efeito desejado é necessário termos em mente que os Budas estão ali, eles não precisam vir do nirvana, é como a Lua, não faz esforço para brilhar em um lago, o lago está ali e ela apenas se reflete nele. Da mesma forma, uma imagem de um Buda, ou uma mente que pensa em Buda, imediatamente Buda está ali presente, tal como a Lua no lago. Sendo assim, ao nos prostramos e fazermos as oferendas estamos desenvolvendo uma poderosa ação virtuosa. Imagine a quantidade de mérito ( energia positiva gerado em uma ação) que geramos ao nos prostrarmos perante um ser plenamente iluminado e darmos coisas a ele. Se você que está lendo é Cristão, imagine se pudesse se prostrar perante o próprio Cristo. É capaz de entender esse ponto de vista agora?

Sendo assim o maior beneficiado com essa prática somos nós, afinal se nosso objetivo é beneficiar aos outros, como poderemos fazer isso sem humildade e sem generosidade? Humildade é o efeito que reconhece sua causa e generosidade é dar e não se livrar das coisas. A maioria das pessoas não dão e sim se livram de coisas e a generosidade é a causa de riqueza no futuro, avareza é a causa que gera o carma da pobreza. Conta-se que certa vez um pobre garoto, não tendo o que oferecer a uma imagem de Buda, encheu uma tijela de areia e imaginou que fosse ouro em pó, na vida seguinte nasceu como o Imperador Asoka, uns dos maiores rei que a Índia teve em sua história. Não posso deixar de me lembrar da passagem cristã, no qual uma pobre viúva dá apenas duas moedas como oferta ao templo e Jeoshua ( Jesus) diz: Na verdade ela deu mais do que todos, pois os outros deu o que lhe sobrava e ela deu tudo que possuia. Portanto, sempre façamos oferendas aos Budas e mais ainda aos seres sencientes.

quarta-feira, 24 de março de 2010

MORTE A MAIOR DAS MENTIRAS

Tal como o fogo a natureza do fogo é esquentar e do gelo esfriar, assim a natureza do corpo é a morte a da mente é a imortalidade.

O corpo sem a mente não faz nada, não é capaz sequer de se mover. Ele é apenas uma máquina que definitivamente não é nosso eu, afinal não somos um saco de carne, com pulmões, figado, rins e demais órgãos, não somos pele, suor, cabelos, unhas, ossos, pus, sangue, aparelho digestivo e etc... pois, o corpo, sem mente, é apenas isso...essa é a natureza do corpo. Ele já é morto, o que é vivo e a mente, portanto a morte não existe...o que morre é o corpo, mas como algo que sempre foi morto pode morrer?

Nossa civilização nada mais é que do Necrópoles com cadáveres se movendo por impulsos espasmódicos da mente. A morte, portanto, apenas coloca as coisas no seu devido lugar, o corpo continua morto, como sempre foi, a mente continua imortal, como também sempre foi.

Portando, nunca devemos temer a morte e sim a quebra da disciplina moral, de praticar injustiças e prejudicar os outros. Aqueles que não se identificam com seus corpos e tem uma mente virtuosa com certeza poderão dizer que que são ricos na pobreza, livres na servidão e vivos na morte! Ao contrário daqueles que se identificam com seus corpos e praticam toda sorte de delusões, negatividades e injustiças que são pobres na riqueza, escravos na liberdade e mortos em vida.


O SOFRIMENTO DOS ANIMAIS

Os animais nesse mundo são tratados pelos humanos de 3 formas;

  1. para distração presos em circos, zoológicos e gaiolas
  2. para trabalhos forçados como escravos
  3. para serem cruelmente mortos e terem seus corpos retalhados e vendidos em açougues.

O que é uma grande estupidez de nossa parte como humanos, pois na escala hierárquica como reinos, somos como deuses para eles. Não sou a favor que os animais sejam tratados melhores que humanos como fazem certas dondocas, pois isso também é um desequilíbrio, mas que apenas sejam livres e respeitados em seus próprios reinos. Tal como nós, eles apenas desejam ser felizes e não sofrer e nós achamos que somente nós merecemos ser felizes nesse mundo.


terça-feira, 23 de março de 2010

carta de um Mahatma sobre DEUS

O texto a seguir não é de origem Budista e sim Teosófica, mas vale a pena ler, pois vai ao encontro da filosofia budista a respeito do referido assunto. O termo Mahamatan quer dizer grande alma, no caso em especifico é um iluminado, portanto um Buda.


Nem a nossa filosofia, nem nós próprio acreditamos em um Deus, e muito menos em um Deus cujo pronome necessita de uma inicial maiúscula. Nossa filosofia é preeminentemente a ciência dos efeitos pelas causas e das causas por seus efeitos, e já que ela é também a ciência das coisas surgidas do primeiro princípio, segundo a definição de Francis Bacon, antes de admitir qualquer primeiro princípio devemos conhecê-lo, sem o que não temos o direito de admitir nem mesmo sua possibilidade.
Foi lhe dito que nosso conhecimento estava limitado ao nosso sistema solar: portanto, como filósofos que desejam ser dignos do nome, não poderíamos negar nem afirmar a existência do que você qualificou como um ser supremo, onipotente, inteligente, de um tipo além dos limites do sistema solar.
Mas embora tal existência não seja absolutamente impossível, a menos que a uniformidade da lei da natureza se rompa naqueles limites, nós sustentamos que é altamente improvável. Nossa doutrina não conhece meios termos. Ela afirma ou nega, porque só ensina aquilo que sabe que é verdade. Portanto, nós negamos a Deus como filósofos e como budistas. Sabemos que há vidas planetárias e outras vidas espirituais e sabemos que em nosso sistema solar não existe coisa tal como Deus, seja pessoal ou impessoal. Parabrahm não é um Deus, mas a lei absoluta e imutável, e Ishwara é o efeito de Avidya e Maya, ignorância baseada na grande ilusão. A palavra “Deus” foi inventada para designar a causa desconhecida daqueles efeitos que o homem tem adorado ou temido sem entender, e já que nós alegamos que somos capazes de comprovar o que alegamos – isto é, que conhecemos aquela causa e outras causas – temos condições de sustentar que não há Deus ou Deuses atrás daqueles efeitos.
A idéia de um Deus não é uma noção inata, mas adquirida, e nós só temos uma coisa em comum com as teologias – nós revelamos o infinito. Mas enquanto atribuímos causas materiais, naturais, sensíveis e conhecidas (por nós pelo menos) a todos os fenômenos que procedem do espaço, da duração e do movimento infinitos e ilimitados, os teístas atribuem a eles causas sobrenaturais, inteligíveis e desconhecidas.
O Deus dos teólogos é simplesmente um poder imaginário, um bicho papão. Nossa principal meta é libertar a humanidade deste pesadelo, ensinar ao homem a virtude pelo bem da virtude, e ensiná-lo a caminhar pela vida confiando em si mesmo, ao invés de depender de uma muleta teológica que por eras incontestáveis foi a causa direta de quase toda miséria humana. Se as pessoas estiverem dispostas a aceitar como Deus nossa VIDA UNA, imutável, inconsciente em sua eternidade, poderão fazê-lo e assim manter mais um gigantesco equívoco de denominação. Mas então terão de dizer como Spinoza que não há e não podemos conceber qualquer substancia além de Deus... Quem, exceto um teólogo formado no mistério e no mais absurdo sobrenaturalismo pode imaginar um ser auto-existente, necessariamente infinito e onipresente, FORA do universo manifestado que NÃO TEM FRONTEIRAS? A palavra infinito é apenas uma negativa que exclui a idéia de limites. É evidente que um ser independente e onipresente não pode estar limitado por nada que seja externo a ele; que não pode haver nada externo a ele – nem mesmo vácuo, portanto, onde está tal deus? Se perguntarmos para os teístas se o Deus deles é vácuo, espaço ou matéria, eles responderão que não. E no entanto sustentam que o Deus deles penetra a matéria embora ele próprio não seja a matéria.
Quando nós falamos da nossa Vida UNA, também dizemos que ela não só penetra, mas é a essência de cada átomo de matéria; e que, portanto, ela não apenas tem correspondência com a matéria, mas possui também todas as suas propriedades. Conseqüentemente, também é material e a própria matéria. Como poderia a inteligência proceder ou emanar da não-inteligência? “Você insistia em perguntar. “Como poderia uma humanidade inteligente ter evoluído a partir de um lei ou força cega!” Mas um vez que raciocinamos nesta direção, eu posso perguntar por minha vez, como poderiam deficientes mentais congênitos, animais que não raciocinam e o resto da ‘criação’ ter sido criados ou haver evoluído a partir de uma Sabedoria Absoluta, se esta última é um ser pensante inteligente, o autor e governante do Universo? Como? “Deus fez o olho e não enxergará?” Deu fez o ouvido e não escutará?”. De acordo com este modo de pensar eles teriam que admitir que, ao criar um deficiente mental, Deus é um deficiente mental; que aquele que fez tantos seres irracionais, tantos monstros físicos e morais, deve ser irracional...
Nós não somos advaitas, escola não dualista da tradição dos Vedas, mas nosso ensinamento com respeito à Vida Una é idêntico ao dos advaitas com relação a Parabrahma. E nenhum verdadeiro advaita jamais se identificará com um agnóstico, porque sabe que ele é Parabrahma e idêntico em todos os aspectos à vida universal – o macrocosmo e o microcosmos, e sabe que não há Deus separado dele, nenhum criador.
Se há um absurdo em negar aquilo que não conhecemos, é ainda mais absurdo atribuir a ele leis desconhecidas. Segundo a lógica, o “nada” é aquilo do qual tudo pode ser corretamente negado e do qual nada pode ser corretamente afirmado. No entanto, de acordo com teólogos, “Deus, o ser auto-existente, é extremamente simples, imutável, incorruptível; sem partes, sem figura, movimento, divisibilidade ou quaisquer outras propriedades como estas, que encontramos na matéria”.... Portanto, o Deus oferecido à adoração no século XIX perde toda qualidade sobre a qual a mente do homem seja capaz de ter qualquer julgamento. O que é isto, na verdade, além de um ser do qual eles não podem afirmar COISA ALGUMA que não seja negada instantaneamente? A própria Bíblia deles, no Apocalipse , destrói todas as perfeições morais que eles empilham sobre esse ‘Deus’, a menos, de fato, que qualifiquem como perfeições aquelas qualidades que a razão e o senso comum de qualquer homem comum chamam de vícios odiosos e maldade brutal... Quem lê as nossas escrituras budistas, as escritas para as massas supersticiosas, não encontrará nelas um DEMÔNIO tão vingativo, injusto e cruel quanto o tirano celestial ao qual os cristão atribuem perfeições negada em cada página da sua Bíblia. A Teológica criou o Deus dela apenas para destruí-lo pedaço por pedaço. A Igreja de vocês é o Saturno do mito, que tem filhos apenas para devorá-los.
Negamos a existência de um Deus pensante, consciente, com base em que um tal Deus deveria ser condicionado, limitado, sujeito a mudança, e portanto, não infinito. Rejeitamos a proposição absurda de que pode haver, mesmo em universo ilimitado e eterno, duas existências eternas e onipresentes. Se esse ‘Deus’ for descrito para nós como um ser eterno, imutável e independente, sem partícula alguma de matéria em si, então responderemos que ele não é um ser, mas um princípio imutável, uma Lei.
Quanto a Deus, já que ninguém jamais e em tempo algum o viu – a menos que ele seja a própria essência da Natureza, sua energia e seu movimento, não podemos vê-lo como eterno, infinito ou auto-existente. Nós nos recusamos a admitir a existência de um ser do qual nada se sabe; porque não há espaço para ele na presença daquela matéria cujas qualidades nós conhecemos bem, porque se ele é apenas uma parte daquela matéria, seria ridículo sustentar que ele movimenta e governa aquilo de que ele é apenas uma parte dependente e porque se nos dizem que Deus é um puro espírito auto-existente e independente da matéria – uma deidade extra cósmica - nós respondemos que mesmo admitindo a possibilidade de tal impossibilidade, isto é, a existência dele, nós sustentaríamos que um espírito puramente imaterial não pode ser um governante consciente e inteligente, nem pode ter nenhum dos atributos atribuídos a ele pela teologia, assim, um tal Deus se tornaria novamente um força cega natural.
A inteligência torna necessário o pensamento; para pensar alguém deve ter idéias; idéias supõe sentidos, que são físicos e materiais, como pode qualquer coisa material pertencer ao puro espírito?
Nós, budistas, rejeitamos a teoria teísta, rejeitamos ao mesmo tempo a teoria do autômato, que ensina que os estados de consciência são produzidos pela disposição das moléculas do cérebro.
Acreditamos na matéria como natureza visível e produtora de causa e na matéria em sua invisibilidade, com seu movimento incessante que é a sua VIDA.
Nossas idéias a respeito do mal são que o mal não tem existência por si mesmo e é apenas a ausência do bem; existe apenas para aquele que é transformado em sua vítima. Surge de duas causas e, tanto quanto o bem, não é uma causa independente da natureza. A natureza é destituída de bondade ou maldade, apenas segue leis universais quando dá vida ou morte, cria ou destrói. A natureza tem um antídoto para cada veneno e suas leis possuem uma recompensa para cada sofrimento.
O verdadeiro mal surge da inteligência humana e sua origem está inteiramente no homem que raciocina e se dissocia da Natureza. A humanidade, portanto, é a verdadeira fonte do mal. O mal é produto do egoísmo e da ganância, gerados pela ignorância. Pense profundamente e descobrirá que, com a exceção da morte – que não é um mal mas uma lei necessária – e de acidentes, que sempre terão sua recompensa em uma vida futura – a origem de cada mal está na ação humana, no homem, cuja inteligência faz dele o único agente livre da natureza. Não é a Natureza que cria doenças, mas o homem. O destino do homem na economia da natureza é ter uma morte natural provocada pela velhice; salvo acidentes, nenhum homem selvagem ou animal livre morrem devido a doenças. Comida, bebida, relações sexuais, são necessidade naturais da vida; no entanto, o excesso delas traz doença, miséria, sofrimento mental e físico. A ambição ,o desejo de assegurar a felicidade e conforto para aqueles que amamos através da obtenção de honras e riquezas são sentimentos naturais, mas quando eles transformam o homem num tirano cruel e ambicioso, um miserável, um egoísta, trazem miséria indescritível para os que estão ao redor dele; e para nações tanto quanto para indivíduos. Tudo isso então – comida, riqueza e outras mil coisas que deixamos de mencionar – se torna fonte e causa do mal, seja por causa de sua abundância ou devido à ausência. Não é a natureza nem um divindade imaginária que devem ser acusadas, mas a natureza humana transformada pelo egoísmo.
O mal também está nas ilusões que o homem vê como sagradas. A ignorância criou Deuses e a astúcia aproveitou a oportunidade. Além disso, um sentimento constante de dependência a uma Divindade vista como a única fonte de poder faz com que um homem perca toda autoconfiança e o impulso para a atividade e a iniciativa. É um pecado atribuir a um Deus a tarefa de libertar as pessoas de si mesmas. Veja a Índia, veja cristandade, o Islamismo, o Judaísmo e o fetichismo. Foi a impostura dos celro que fez com que estes deuses passassem a ser tão ter´riveis para o homem; é a religião que o transforma no beato egoísta e fanático que odeia toda a humanidade fora de sua própria seita, sem torná-lo em nada melhor ou mais ético por isso. É a crença em Deus e Deuses que faz dois terços da humanidade escravos de um punhado daqueles que os enganam com o falso pretexto de salvá-los. O homem não está sempre pronto a cometer qualquer tipo de maldade se lhe disserem que seu Deus exige o crime? Os camponeses passarão fome e verão suas famílias famintas e sem roupa para alimentar e vestir seu padre e seu papa. Durante dois mil anos a índia gemeu sob o peso das castas, com os brâmanes engordando só a si mesmos. E hoje os seguidores do Cristo e os de Maomé, que foram almas iluminadas e tiveram sua mensagem distorcida pela ignorância dos homens, estão cortando as gargantas uns dos outros em nome de seus respectivos mitos. A soma da miséria humana nunca será diminuída até aquele dia em que grande parte da humanidade destruir, em nome da Verdade e da Compaixão, os altares de seus falsos deuses.
Em nossos templos não há deuses, apenas o respeito à memória do mais iluminado dos homens. Nossos lamas aceitam comida, nunca dinheiro, e em nossos templos a origem do mal é explicada ao povo. Lá são ensinadas as quatro nobres verdades e a cadeia de causação interdependente (nidanas) lhes dá uma solução para o problema da origem do sofrimento e sua destruição.
Leia o Mahavagga e tente compreender, não com a mente ocidental preconceituaosa, mas com o espírito de intuição e de verdade o que o Buda Iluminado diz no 1º Khandhaka. Permita que eu traduza para você.
”Na época em que o abençoado Buda estava em Uruvela, às Margens do rio Neranjara, quando descansava sob a árvore da sabedoria Bodhi, mantendo sua mente fixa na cadeia de causação (nidanas) ele falou assim: ‘da Ignorância (avidya) surgem os samskharas (germes e tendências karmicas estabelecidos em vidas anteriores fruto de impressões deixadas na mente pelas ações e circunstâncias)... os samskharas de natrureza tríplice – produtos do corpo, da fala e do pensamento. Dos samskharas surge consciência, da consciência surgem nome e forma, deles surgem as seis regiões dos sentidos; deste surge o contato, deste a sensação; desta surge a ânsia e desejo, e disso o apego, a existência, o nascimento, a velhice, a morte, a aflição, a lamentação, o sofrimento, o desânimo e o desespero. No sentido inverso, pela destruição da Ignorância, raiz do sofrimento, os samskharas são destruídos, e a consciência deles, nome e forma, as seis regiões, o contato, a sensação, o apego (egoísmo), a existência, nasciemtno, velhice, morte, o sofrimento são destruídos. Assim é a cessação de toda essa massa de sofrimento.”
Sabendo disso, o Ser Abençoado fez esta afirmação solene:

fonte: Cartas dos Mahatmas para A.P.Sinnet"

sexta-feira, 12 de março de 2010

OS SINAIS DA MORTE

Existem dois tipos de sinais da morte: distantes e próximos. Para vivenciar os sinais distantes, não é preciso estar enfermo. Eles ocorrem entre seis e três meses antes da morte e são de três tipos: corporais, mentais e sonhados. Não indicam necessariamente que vamos morrer logo mas, se persistirem, é provável que nossa morte seja iminente. Conhecendo-os, saberemos identificar sua ocorrência, e isso servirá para fazer as preparações para nossa vida futura.
Eis alguns sinais corporais distantes: soluçar continuamente ao urinar ou defecar, não ouvir o zumbido interno do ouvido ao tapá-lo; o sangue não voltar com rapidez as unhas quando apertamos ou relaxamos a pressão; não sentir gosto ou cheiro das coisas sem motivo algum; esfriamento do hálito, encolhimento da língua; não ver sombras e formas coloridas ao pressionar o globo ocular no escuro; ter a alucinação de um sol à noite, parar de salivar, não ver os raios de energia fluírem pela coroa da cabeça ao olhar para própria sombra numa manhã de sol.

Eis alguns sinais mentais da morte: mudança do temperamento atual; sem motivo, deixar de gostar da própria casa, de amigos e de outros objetos de apego; sentir tristeza sem razão alguma; perda de força, clareza de nossa sabedoria e inteligência.

Os sinais sonhados, sonhos repetidos de que estamos caindo de uma montanha elevada; viajando nus ou sozinhos através de um deserto rumo ao sul.

E assim um praticante atento pode perceber sua morte, se preparar para ela, vivendo significativamente e morrendo alegremente e então realizar seu canto de cisne: Os cisnes quando percebem que vão morrer, cantam felizes como jamais cantaram , pois percebem a felicidade que vão usufruir na próxima vida.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Seria Socrátes um Buda, um Desperto, Um iluminado parte I

Trecho do Fédon de Platão, o ultimo dia de vida de Socrátes

Só há uma moeda verdadeira, pela qual tudo isso deva
ser trocado: a sabedoria. E só por troca com ela, ou com ela mesma, é que em verdade se
compra ou se vende tudo isto: coragem, temperança e justiça, numa palavra, a verdadeira
virtude, a par da sabedoria, pouco importando que se lhe associem ou dela se afastem
prazeres ou temores e tudo o mais da mesma natureza. Separadas da sabedoria e
permutadas entre si, todas elas não são mais do que sombra de virtude, servis em toda a
linha e sem nada possuírem de verdadeiro nem são. A verdade em si consiste,
precisamente, na purificação de tudo isso, não passando a temperança, a justiça, a coragem
e a própria sabedoria de uma espécie de purificação. É muito provável que os instituidores
de nossos mistérios não fossem falhos de merecimento e que desde muitos nos quisessem
dar a entender por meio de sua linguagem obscura que a pessoa não iniciada nem
purificada, ao chegar ao Hades vai para um lamaçal, ao passo que o iniciado e puro, ao
chegar lá passa a morar com os deuses. Porque, como dizem os que tratam dos mistérios:
muitos são os portadores de tirso, porém pouquíssimos os verdadeiros inspirados

Seria Socrátes um Buda, um Desperto, Um iluminado parte II

Trechos do Fédon de Platão que conta o último dia de vida de Sócrates:

Embora os homens não o percebam, é possível que todos os que se dedicam
verdadeiramente à Filosofia, a nada mais aspirem do que a morrer e estarem mortos. Sendo isso um fato, seria absurdo, não fazendo outra coisa o filósofo toda a vida, ao chegar esse
momento, insurgir-se contra o que ele mesmo pedira com tal empenho e em pós do que
sempre se afanara..Morrer, então, consistirá em
apartar-se da alma o corpo, ficando este reduzido a si mesmo e, por outro lado, em libertarse
do corpo a alma e isolar-se em si mesma? Ou será a morte outra coisa?
Não; é isso, precisamente, respondeu.
Considera agora, meu caro, se pensas como eu. Estou certo de que desse modo
ficaremos conhecendo melhor o que nos propomos investigar. És de opinião que seja
próprio do filósofo esforçar-se para a aquisição dos pretensos prazeres, tal como comer e
beber?
De forma alguma, Sócrates, replicou Símias.
E como relação aos prazeres do amor?
A mesma coisa.
E os demais prazeres, que entendem com os cuidados do corpo? És de parecer que
lhes atribua algum valor? A posse de roupas vistosas, ou de calçados e toda a sorte de
ornamentos do corpo, que tal achas? Eles os aprecia ou os despreza no que não for de
estrita necessidade?
Eu, pelo menos, respondeu, sou de parecer que o verdadeiro filósofo os despreza.
Sendo assim, continuou, não achas que, de modo geral, as preocupações dessa pessoa,
não visam ao corpo, porém tendem, na medida do possível, a afastar-se dele para
aproximar-se da alma?
É também o que eu penso.
Nisto, por conseguinte, antes de mais nada, é que o filósofo se diferencia dos demais
homens: no empenho de retirar quanto possível a alma na companhia do corpo.
Evidentemente.
Essa é a razão, Símias, de, na opinião da maioria dos homens, não merecer viver o
indivíduo a quem nada disso é agradável e que não se importa com tais práticas, por acharse
muito mais perto da condição de morto e por não dar a menor importância aos prazeres
alcançados por intermédio do corpo.
Tens razão.
X – E como referência à aquisição do conhecimento? O corpo constitui ou não
constitui obstáculo, quando chamado para participar da pesquisa? O que digo é o seguinte:
a vista e o ouvido asseguram aos homens alguma verdade? Ou será certo o que os poetas
não se cansam de afirmar, que nada vemos nem ouvimos com exatidão? Ora, se esses dois
sentidos corpóreos não são nem exatos nem de confiança, que diremos dos demais, em tudo
inferiores aos primeiros? Não pensas desse modo?
Perfeitamente, respondeu.
Então, perguntou, quando é que a alma atinge a verdade? É fora de dúvida que, desde
o momento em que tenta investigar algo na companhia do corpo, vê se lograda por ele.
Tens razão.
E não é no pensamento – se tiver de ser de algum modo – que algo da realidade se lhe
patenteia?
Perfeitamente.
Ora, a alma pensa melhor quando não tem nada disso a perturbá-la, nem a vista nem o
ouvido, nem dor nem prazer de espécie alguma, e concentrada ao máximo em si mesma,
dispensa a companhia do corpo, evitando tanto quanto possível qualquer comércio com ele,
e esforça-se por apreender a verdade.
Certo.
E não é nesse estado que a alma do filósofo despreza o corpo e dele foge, trabalhando
por concentrar-se em si própria?
Evidentemente.
E com relação ao seguinte, Símias: afirmaremos ou não que o justo em si mesmo seja
alguma coisa?
Afirmaremos, sem dúvida, por Zeus.
E também o belo em si e o bem?
Também.
E algum dia já percebeste com os olhos qualquer deles?
Nunca, respondeu.
Ou por intermédio de outro sentido corpóreo? Refiro-me a tudo: grandeza, saúde,
força e o mais que for, numa palavra: à essência de tudo o que existe, conforme a natureza
de cada coisa. É por intermédio do corpo que percebemos o que neles há de verdadeiro, ou
tudo se passará da seguinte maneira: quem de nós ficar em melhores condições de pensar
em si mesmo o mais exatamente possível o que se propõe examinar, não é esse que estará
mais perto do conhecimento de cada coisa? Ou não?
Perfeitamente.
E não alcançará semelhante objetivo da maneira mais pura quem se aproximar de
cada coisa só com o pensamento, sem arrastar para a reflexão a vista ou qualquer outro
sentido, nem associá-los a seu raciocínio, porém valendo-se do pensamento puro, esforçarse
por apreender a realidade de cada coisa em sua maior pureza, apartado, quanto possível,
da vista e do ouvido, e, por assim dizer, de todo o corpo, por ser o corpo fator de
perturbação para a alma e impedi-la de alcançar a verdade e o pensamento, sempre que a
ele se associa? Não será, Símias, esse indivíduo, se houver alguém em tais condições, que
alcançara o conhecimento do Ser?
Tens toda a razão, Sócrates, respondeu Símias.
XI – Por tudo isso, continuou, é natural nascer no espírito dos filósofos autênticos
certa convicção que os leva a discorrer entre eles mais ou menos nos seguintes termos: Há
de haver para nós outros algum atalho direto, quando o raciocínio nos acompanha na
pesquisa; porque enquanto tivermos corpo e nossa alma se encontrar atolada em sua
corrupção, jamais poderemos alcançar o que almejamos. E o que queremos, declaremo-lo
de uma vez por todas, é a verdade. Não têm conta os embaraços que o corpo nos apresta,
pela necessidade de alimentar-se, sem falarmos nas doenças intercorrentes, que são outros
empecilhos na caça da verdade. Com amores, receios, cupidez, imaginações de toda a
espécie e um sem número de banalidades, a tal ponto ele nos satura, que, de fato, como se
diz, por sua causa jamais conseguiremos alcançar o conhecimento do quer que seja. Mais,
ainda: guerras, batalhas, dissensões, suscita-as exclusivamente o corpo com seus apetites.
Outra causa não têm as guerras senão o amor do dinheiro e dos bens que nos vemos
forçados a adquirir por causa do corpo, visto sermos obrigados a servi-lo. Se carecermos de
vagar para nos dedicarmos à Filosofia, a causa é tudo isso que enumeramos. O pior é que,
mal conseguimos alguma trégua e nos dispomos a refletir sobre determinado ponto, na
mesma hora o corpo intervém para perturbar-nos de mil modos, causando tumulto e
inquietude em nossa investigação, até deixar-nos inteiramente incapazes de perceber a
verdade. Por outro lado, ensina-nos a experiência que, se quisermos alcançar o
conhecimento puro de alguma coisa, teremos de separar-nos do corpo e considerar apenas
com a alma como as coisas são em si mesmas. Só nessas condições, ao que parece, é que
alcançaremos o que desejamos e do que nos declaramos amorosos, a sabedoria, isto é,
depois de mortos, conforme nosso argumento o indica, nunca enquanto vivermos. Ora, se
realmente, na companhia do corpo não é possível obter o conhecimento puro do que quer
que seja, de duas uma terá de ser: ou jamais conseguiremos adquirir esse conhecimento, ou
só o faremos depois de mortos, pois só então a alma se recolherá em si mesma, separada do
corpo, nunca antes disso. Ao que parece, enquanto vivermos, a única maneira de ficarmos
mais perto do pensamento, é abstermo-nos o mais possível da companhia do corpo e de
qualquer comunicação com ele, salvo e estritamente necessário, sem nos deixarmos saturar
de sua natureza sem permitir que nos macule, até que a divindade nos venha libertar. Puros,
assim, e livres da insanidade do corpo, com toda a probalidade nos uniremos a seres iguais
a nós e reconheceremos por nós mesmos o que for estreme de impurezas. É nisso,
provavelmente, que consiste a verdade. Não é permitido ao impuro entrar em contato com o
puro. – Eis aí, meu caro Símias, quero crer, o que necessariamente pensam entre si e
conversam uns com os outros os verdadeiros amantes da sabedoria. Não é esse, também, o
teu modo de pensar?
Perfeitamente, Sócrates.
XII – Por conseguinte, companheiro, continuou Sócrates, se tudo isso estiver certo, há
muita esperança de que somente no ponto em que me encontro, e mais em tempo algum, é
que alguém poderá alcançar o que durante a vida constitui nosso único objetivo. Por isso, a
viagem que me foi agora imposta deve ser iniciada com uma boa esperança, o que se dará
também com quantos tiverem certeza de achar-se com a mente preparada e, de algum
modo, pura.
Isso mesmo, observou Símias.
E purificação não vem a ser, precisamente, o que dissemos antes: separar do corpo,
quanto possível, a alma, e habituá-la a concentrar-se e a recolher-se a si mesma, a afastar-se
de todas as partes do corpo e a viver, agora e no futuro, isolada quanto possível e por si
mesma, e como que libertada dos grilhões do corpo?
É muito certo, respondeu.
E o que denominamos morte, não será a liberação da alma e seu apartamento do
corpo?
Sem dúvida, tornou a falar.
E essa separação, como dissemos, os que mais se esforçam por alcançá-la e os únicos
a consegui-la não são os que se dedicam verdadeiramente à Filosofia, e não consiste toda a
atividade dos filósofos na libertação da alma e na sua separação do corpo?
Exato.
Sendo assim, como disse no começo, não seria ridículo preparar-se alguém a vida
inteira para viver o mais perto possível da morte, e revoltar-se no instante em que ela
chega?
Ridículo, como não?
Logo, Símias, continuou, os que praticam verdadeiramente a Filosofia, de fato se
preparam para morrer, sendo eles, de todos os homens, os que menos temor revelam à idéia
da morte. Basta considerarmos o seguinte: se de todo o jeito eles desprezam o corpo e
desejam, acima de tudo, ficar sós com a alma, não seria o cúmulo do absurdo mostrar medo
e revoltar-se no instante em que isso acontecesse, em vez de partirem contentes para onde
esperam alcançar o que a vida inteira tanto amara – sim, pois eram justamente isso: amantes
da sabedoria.

Por consequência, continuou, ao vires um homem revoltar-se no instante de
morrer, não será isso prova suficiente de que não trata de um amante da sabedoria, porém
amante do corpo? Um indivíduo nessas condições, também será, possivelmente, amante do
dinheiro ou da fama, se não o for de ambos ao mesmo tempo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O que é a mente?

Alguns pensam que a mente é o cérebro ou qualquer outra parte ou função do corpo, mas não é verdade. O cérebro é um objeto físico que pode ser visto, fotografado ou submetido a uma cirurgia. Ele é apenas o orgão físico onde se manifesta a mente.

A mente, por outro lado, não é algo material. Ela não pode ser vista com os olhos nem fotografada ou operada. Portanto, o cérebro não é a mente, mas apenas uma parte do corpo.

Não há nada dentro do corpo que possa ser identificado como sendo nossa mente, porque nosso corpo e mente são entidades diferentes. Por exemplo, às vezes nosso corpo está descontraído e imóvel, e a mente em plena atividade, movendo-se rapidamente de um objeto para outro. Isso indica que nosso corpo e mente não são a mesma entidade.

Nas escrituras budistas, nosso corpo é comparado a uma hospedaria, e a mente, ao hóspede que ali reside. Quando morremos, a mente deixa o corpo e vai para uma próxima vida, como um hóspede que sai de uma hospedaria e vai para outro lugar.

Se a mente não é o cérebro nem outra parte qualquer do corpo, o que ela é? A mente é um continuum sem forma, que tem como função perceber e entender os objetos. Sendo, por natureza, algo sem forma, ou não corpóreo, ela não pode ser obstruída por objetos físicos.

É muito importante conseguir distinguir estados mentais agitados de estados mentais pacíficos. Os estados mentais que perturbam nossa paz interior, como raiva, inveja e apego desejoso, são denominados ‘delusões’ e são as principais causas de todo o nosso sofrimento.

Talvez pensemos que nosso sofrimento seja provocado por outras pessoas, pela falta de condições materiais ou pela sociedade, mas, na realidade, ele vem dos nossos próprios estados mentais deludidos. A essência da prática espiritual consiste em reduzir e, por fim, erradicar totalmente nossas delusões, substituindo-as por paz interior permanente. Esse é o verdadeiro significado da nossa vida humana.

O ponto essencial que aprendemos ao entender a mente é que a libertação do sofrimento não pode ser encontrada fora da mente. A libertação permanente só pode ser alcançada por meio da purificação da mente. Sendo assim, se quisermos nos livrar dos problemas e alcançar paz duradoura e felicidade, precisamos aumentar nosso conhecimento e compreensão da mente.

TUDO É COMO UM SONHO

A experiência onírica é outro exemplo freqüentemente usado para ilustrar a vacuidade. Podemos ter experiências extremamente intensas em nossos sonhos. Viajamos por terras pitorescas, encontramos pessoas atraentes ou aterrorizantes, envolvemo-nos em diversas atividades que nos causam prazer, sofrimento ou dor. Em sonho, um mundo inteiro se apresenta diante de nós, funcionando a seu modo.

Esse mundo tanto pode se assemelhar ao mundo do estado de vigília como pode ser bastante bizarro. Contudo, ambos os casos enquanto estivermos sonhando, ele nos aparecerá absolutamente real. É muito raro que tenhamos a mais leve suspeita de que tudo isso seja apenas um sonho. O mundo no qual vivemos durante o sonho parece ter sua própria existência, com total independência de nossa mente; além disso, nossas reações a esse mundo são as mesmas de sempre – desejo, raiva, medo etc.

Se decidirmos testar a realidade de nossas sensações durante o sonho – por exemplo, apalpando os objetos ao nosso redor ou interrogando as pessoas presentes -, provavelmente obteremos respostas que tenderão a confirmar a realidade do ambiente onírico. Acordar é a única maneira segura de sabermos que estávamos sonhando.

Nesse momento, compreendemos, instantaneamente, e sem sombra de dúvida, que o mundo experienciado no sono era enganoso e não passava de uma mera aparência à nossa mente. Quando acordamos, torna-se evidente que a experiência de sonho não existe de seu próprio lado, mas depende por completo da mente. Por exemplo, se sonharmos com um elefante, o elefante sonhado será uma mera aparência à mente e não poderá ser encontrado em nossa cama, tampouco em qualquer outro lugar.

Se examinarmos com cuidado, compreenderemos que os mundos dos estados desperto e onírico existem de maneira muito semelhante. Nosso mundo do estado desperto, tal como acontece com o mundo do sonho, aparece-nos de modo muito vívido e parece ter existência própria, independente da mente. Acreditamos que essa aparência é verdadeira e reagimos a ela gerando desejo, raiva, medo etc., exatamente como num sonho.

Se tentarmos testar superficialmente a realidade do mundo desperto, nossa opinião terá, mais uma vez, uma aparente confirmação. Quando tocados, os objetos que nos rodeiam parecerão sólidos e reais; quando questionadas, as pessoas dirão que estão os mesmos objetos, da mesma maneira que nós.

Contudo, não devemos aceitar essa aparente confirmação da existência inerente dos objetos como conclusiva, pois já sabemos que testes similares foram incapazes de revelar a verdadeira natureza do mundo sonhado. Para entender a real natureza do mundo de vigília, precisamos investigar com profundidade, recorrendo ao tipo de análise anteriormente apresentado. Quando, agindo assim, realizarmos a vacuidade, compreenderemos que objetos como nosso corpo não existem de seu próprio lado. Não passam de meras aparências à nossa mente, como elefantes sonhados. Não obstante, assim como o mundo de sonhos funciona a seu modo, nosso mundo também funciona seguindo suas próprias regras aparentes, de acordo com as leis de causa efeito.

Assim, a experiência de realizar a vacuidade pode ser comparada ao despertar. Quando realizamos a vacuidade, vemos, com clareza e sem dúvida, que o mundo que experienciávamos antes era engano e falso. Ele aparecia ter sua própria existência inerente; entretanto, ao realizar a vacuidade, compreendemos que é inteiramente vazio desse tipo de existência e depende de nossa mente. Isso explica porque, às vezes, Buda é chamado de “O Desperto” – aquele que despertou do sono da ignorância.

O ser e a sociedade

Para produzir tudo aquilo que achamos que nos trará felicidade, poluímos a tal ponto nosso meio ambiente, que hoje o ar que respiramos e a água que bebemos ameaçam nossa saúde e bem estar. Amamos a liberdade e independência que um carro nos proporciona, mas o custo disso em termos de acidentes e destruição ambiental é enorme.

Achamos que dinheiro é essencial para aproveitarmos a vida, mas a corrida pelo dinheiro também acarreta imensos problemas e ansiedades. Até nossos familiares e amigos, com quem desfrutamos de tantos momentos felizes, podem nos causar muita preocupação e tristeza. (Geshe-la, Transforme sua vida, pp. 13, 14, 15)

Nossa visão normal é de que nossas experiências diárias, tanto as desagradáveis como as agradáveis, advêm de fontes exteriores. Seguindo essa visão, dedicamos toda a mossa vida para melhorar nossas condições exteriores; mas, apesar disso, nossos problemas e sofrimentos humanos crescem a cada ano. Isso indica claramente que nosso ponto de vista comum é incorreto e só nos engana. (Geshe-la)