quarta-feira, 24 de março de 2010

MORTE A MAIOR DAS MENTIRAS

Tal como o fogo a natureza do fogo é esquentar e do gelo esfriar, assim a natureza do corpo é a morte a da mente é a imortalidade.

O corpo sem a mente não faz nada, não é capaz sequer de se mover. Ele é apenas uma máquina que definitivamente não é nosso eu, afinal não somos um saco de carne, com pulmões, figado, rins e demais órgãos, não somos pele, suor, cabelos, unhas, ossos, pus, sangue, aparelho digestivo e etc... pois, o corpo, sem mente, é apenas isso...essa é a natureza do corpo. Ele já é morto, o que é vivo e a mente, portanto a morte não existe...o que morre é o corpo, mas como algo que sempre foi morto pode morrer?

Nossa civilização nada mais é que do Necrópoles com cadáveres se movendo por impulsos espasmódicos da mente. A morte, portanto, apenas coloca as coisas no seu devido lugar, o corpo continua morto, como sempre foi, a mente continua imortal, como também sempre foi.

Portando, nunca devemos temer a morte e sim a quebra da disciplina moral, de praticar injustiças e prejudicar os outros. Aqueles que não se identificam com seus corpos e tem uma mente virtuosa com certeza poderão dizer que que são ricos na pobreza, livres na servidão e vivos na morte! Ao contrário daqueles que se identificam com seus corpos e praticam toda sorte de delusões, negatividades e injustiças que são pobres na riqueza, escravos na liberdade e mortos em vida.


O SOFRIMENTO DOS ANIMAIS

Os animais nesse mundo são tratados pelos humanos de 3 formas;

  1. para distração presos em circos, zoológicos e gaiolas
  2. para trabalhos forçados como escravos
  3. para serem cruelmente mortos e terem seus corpos retalhados e vendidos em açougues.

O que é uma grande estupidez de nossa parte como humanos, pois na escala hierárquica como reinos, somos como deuses para eles. Não sou a favor que os animais sejam tratados melhores que humanos como fazem certas dondocas, pois isso também é um desequilíbrio, mas que apenas sejam livres e respeitados em seus próprios reinos. Tal como nós, eles apenas desejam ser felizes e não sofrer e nós achamos que somente nós merecemos ser felizes nesse mundo.


terça-feira, 23 de março de 2010

carta de um Mahatma sobre DEUS

O texto a seguir não é de origem Budista e sim Teosófica, mas vale a pena ler, pois vai ao encontro da filosofia budista a respeito do referido assunto. O termo Mahamatan quer dizer grande alma, no caso em especifico é um iluminado, portanto um Buda.


Nem a nossa filosofia, nem nós próprio acreditamos em um Deus, e muito menos em um Deus cujo pronome necessita de uma inicial maiúscula. Nossa filosofia é preeminentemente a ciência dos efeitos pelas causas e das causas por seus efeitos, e já que ela é também a ciência das coisas surgidas do primeiro princípio, segundo a definição de Francis Bacon, antes de admitir qualquer primeiro princípio devemos conhecê-lo, sem o que não temos o direito de admitir nem mesmo sua possibilidade.
Foi lhe dito que nosso conhecimento estava limitado ao nosso sistema solar: portanto, como filósofos que desejam ser dignos do nome, não poderíamos negar nem afirmar a existência do que você qualificou como um ser supremo, onipotente, inteligente, de um tipo além dos limites do sistema solar.
Mas embora tal existência não seja absolutamente impossível, a menos que a uniformidade da lei da natureza se rompa naqueles limites, nós sustentamos que é altamente improvável. Nossa doutrina não conhece meios termos. Ela afirma ou nega, porque só ensina aquilo que sabe que é verdade. Portanto, nós negamos a Deus como filósofos e como budistas. Sabemos que há vidas planetárias e outras vidas espirituais e sabemos que em nosso sistema solar não existe coisa tal como Deus, seja pessoal ou impessoal. Parabrahm não é um Deus, mas a lei absoluta e imutável, e Ishwara é o efeito de Avidya e Maya, ignorância baseada na grande ilusão. A palavra “Deus” foi inventada para designar a causa desconhecida daqueles efeitos que o homem tem adorado ou temido sem entender, e já que nós alegamos que somos capazes de comprovar o que alegamos – isto é, que conhecemos aquela causa e outras causas – temos condições de sustentar que não há Deus ou Deuses atrás daqueles efeitos.
A idéia de um Deus não é uma noção inata, mas adquirida, e nós só temos uma coisa em comum com as teologias – nós revelamos o infinito. Mas enquanto atribuímos causas materiais, naturais, sensíveis e conhecidas (por nós pelo menos) a todos os fenômenos que procedem do espaço, da duração e do movimento infinitos e ilimitados, os teístas atribuem a eles causas sobrenaturais, inteligíveis e desconhecidas.
O Deus dos teólogos é simplesmente um poder imaginário, um bicho papão. Nossa principal meta é libertar a humanidade deste pesadelo, ensinar ao homem a virtude pelo bem da virtude, e ensiná-lo a caminhar pela vida confiando em si mesmo, ao invés de depender de uma muleta teológica que por eras incontestáveis foi a causa direta de quase toda miséria humana. Se as pessoas estiverem dispostas a aceitar como Deus nossa VIDA UNA, imutável, inconsciente em sua eternidade, poderão fazê-lo e assim manter mais um gigantesco equívoco de denominação. Mas então terão de dizer como Spinoza que não há e não podemos conceber qualquer substancia além de Deus... Quem, exceto um teólogo formado no mistério e no mais absurdo sobrenaturalismo pode imaginar um ser auto-existente, necessariamente infinito e onipresente, FORA do universo manifestado que NÃO TEM FRONTEIRAS? A palavra infinito é apenas uma negativa que exclui a idéia de limites. É evidente que um ser independente e onipresente não pode estar limitado por nada que seja externo a ele; que não pode haver nada externo a ele – nem mesmo vácuo, portanto, onde está tal deus? Se perguntarmos para os teístas se o Deus deles é vácuo, espaço ou matéria, eles responderão que não. E no entanto sustentam que o Deus deles penetra a matéria embora ele próprio não seja a matéria.
Quando nós falamos da nossa Vida UNA, também dizemos que ela não só penetra, mas é a essência de cada átomo de matéria; e que, portanto, ela não apenas tem correspondência com a matéria, mas possui também todas as suas propriedades. Conseqüentemente, também é material e a própria matéria. Como poderia a inteligência proceder ou emanar da não-inteligência? “Você insistia em perguntar. “Como poderia uma humanidade inteligente ter evoluído a partir de um lei ou força cega!” Mas um vez que raciocinamos nesta direção, eu posso perguntar por minha vez, como poderiam deficientes mentais congênitos, animais que não raciocinam e o resto da ‘criação’ ter sido criados ou haver evoluído a partir de uma Sabedoria Absoluta, se esta última é um ser pensante inteligente, o autor e governante do Universo? Como? “Deus fez o olho e não enxergará?” Deu fez o ouvido e não escutará?”. De acordo com este modo de pensar eles teriam que admitir que, ao criar um deficiente mental, Deus é um deficiente mental; que aquele que fez tantos seres irracionais, tantos monstros físicos e morais, deve ser irracional...
Nós não somos advaitas, escola não dualista da tradição dos Vedas, mas nosso ensinamento com respeito à Vida Una é idêntico ao dos advaitas com relação a Parabrahma. E nenhum verdadeiro advaita jamais se identificará com um agnóstico, porque sabe que ele é Parabrahma e idêntico em todos os aspectos à vida universal – o macrocosmo e o microcosmos, e sabe que não há Deus separado dele, nenhum criador.
Se há um absurdo em negar aquilo que não conhecemos, é ainda mais absurdo atribuir a ele leis desconhecidas. Segundo a lógica, o “nada” é aquilo do qual tudo pode ser corretamente negado e do qual nada pode ser corretamente afirmado. No entanto, de acordo com teólogos, “Deus, o ser auto-existente, é extremamente simples, imutável, incorruptível; sem partes, sem figura, movimento, divisibilidade ou quaisquer outras propriedades como estas, que encontramos na matéria”.... Portanto, o Deus oferecido à adoração no século XIX perde toda qualidade sobre a qual a mente do homem seja capaz de ter qualquer julgamento. O que é isto, na verdade, além de um ser do qual eles não podem afirmar COISA ALGUMA que não seja negada instantaneamente? A própria Bíblia deles, no Apocalipse , destrói todas as perfeições morais que eles empilham sobre esse ‘Deus’, a menos, de fato, que qualifiquem como perfeições aquelas qualidades que a razão e o senso comum de qualquer homem comum chamam de vícios odiosos e maldade brutal... Quem lê as nossas escrituras budistas, as escritas para as massas supersticiosas, não encontrará nelas um DEMÔNIO tão vingativo, injusto e cruel quanto o tirano celestial ao qual os cristão atribuem perfeições negada em cada página da sua Bíblia. A Teológica criou o Deus dela apenas para destruí-lo pedaço por pedaço. A Igreja de vocês é o Saturno do mito, que tem filhos apenas para devorá-los.
Negamos a existência de um Deus pensante, consciente, com base em que um tal Deus deveria ser condicionado, limitado, sujeito a mudança, e portanto, não infinito. Rejeitamos a proposição absurda de que pode haver, mesmo em universo ilimitado e eterno, duas existências eternas e onipresentes. Se esse ‘Deus’ for descrito para nós como um ser eterno, imutável e independente, sem partícula alguma de matéria em si, então responderemos que ele não é um ser, mas um princípio imutável, uma Lei.
Quanto a Deus, já que ninguém jamais e em tempo algum o viu – a menos que ele seja a própria essência da Natureza, sua energia e seu movimento, não podemos vê-lo como eterno, infinito ou auto-existente. Nós nos recusamos a admitir a existência de um ser do qual nada se sabe; porque não há espaço para ele na presença daquela matéria cujas qualidades nós conhecemos bem, porque se ele é apenas uma parte daquela matéria, seria ridículo sustentar que ele movimenta e governa aquilo de que ele é apenas uma parte dependente e porque se nos dizem que Deus é um puro espírito auto-existente e independente da matéria – uma deidade extra cósmica - nós respondemos que mesmo admitindo a possibilidade de tal impossibilidade, isto é, a existência dele, nós sustentaríamos que um espírito puramente imaterial não pode ser um governante consciente e inteligente, nem pode ter nenhum dos atributos atribuídos a ele pela teologia, assim, um tal Deus se tornaria novamente um força cega natural.
A inteligência torna necessário o pensamento; para pensar alguém deve ter idéias; idéias supõe sentidos, que são físicos e materiais, como pode qualquer coisa material pertencer ao puro espírito?
Nós, budistas, rejeitamos a teoria teísta, rejeitamos ao mesmo tempo a teoria do autômato, que ensina que os estados de consciência são produzidos pela disposição das moléculas do cérebro.
Acreditamos na matéria como natureza visível e produtora de causa e na matéria em sua invisibilidade, com seu movimento incessante que é a sua VIDA.
Nossas idéias a respeito do mal são que o mal não tem existência por si mesmo e é apenas a ausência do bem; existe apenas para aquele que é transformado em sua vítima. Surge de duas causas e, tanto quanto o bem, não é uma causa independente da natureza. A natureza é destituída de bondade ou maldade, apenas segue leis universais quando dá vida ou morte, cria ou destrói. A natureza tem um antídoto para cada veneno e suas leis possuem uma recompensa para cada sofrimento.
O verdadeiro mal surge da inteligência humana e sua origem está inteiramente no homem que raciocina e se dissocia da Natureza. A humanidade, portanto, é a verdadeira fonte do mal. O mal é produto do egoísmo e da ganância, gerados pela ignorância. Pense profundamente e descobrirá que, com a exceção da morte – que não é um mal mas uma lei necessária – e de acidentes, que sempre terão sua recompensa em uma vida futura – a origem de cada mal está na ação humana, no homem, cuja inteligência faz dele o único agente livre da natureza. Não é a Natureza que cria doenças, mas o homem. O destino do homem na economia da natureza é ter uma morte natural provocada pela velhice; salvo acidentes, nenhum homem selvagem ou animal livre morrem devido a doenças. Comida, bebida, relações sexuais, são necessidade naturais da vida; no entanto, o excesso delas traz doença, miséria, sofrimento mental e físico. A ambição ,o desejo de assegurar a felicidade e conforto para aqueles que amamos através da obtenção de honras e riquezas são sentimentos naturais, mas quando eles transformam o homem num tirano cruel e ambicioso, um miserável, um egoísta, trazem miséria indescritível para os que estão ao redor dele; e para nações tanto quanto para indivíduos. Tudo isso então – comida, riqueza e outras mil coisas que deixamos de mencionar – se torna fonte e causa do mal, seja por causa de sua abundância ou devido à ausência. Não é a natureza nem um divindade imaginária que devem ser acusadas, mas a natureza humana transformada pelo egoísmo.
O mal também está nas ilusões que o homem vê como sagradas. A ignorância criou Deuses e a astúcia aproveitou a oportunidade. Além disso, um sentimento constante de dependência a uma Divindade vista como a única fonte de poder faz com que um homem perca toda autoconfiança e o impulso para a atividade e a iniciativa. É um pecado atribuir a um Deus a tarefa de libertar as pessoas de si mesmas. Veja a Índia, veja cristandade, o Islamismo, o Judaísmo e o fetichismo. Foi a impostura dos celro que fez com que estes deuses passassem a ser tão ter´riveis para o homem; é a religião que o transforma no beato egoísta e fanático que odeia toda a humanidade fora de sua própria seita, sem torná-lo em nada melhor ou mais ético por isso. É a crença em Deus e Deuses que faz dois terços da humanidade escravos de um punhado daqueles que os enganam com o falso pretexto de salvá-los. O homem não está sempre pronto a cometer qualquer tipo de maldade se lhe disserem que seu Deus exige o crime? Os camponeses passarão fome e verão suas famílias famintas e sem roupa para alimentar e vestir seu padre e seu papa. Durante dois mil anos a índia gemeu sob o peso das castas, com os brâmanes engordando só a si mesmos. E hoje os seguidores do Cristo e os de Maomé, que foram almas iluminadas e tiveram sua mensagem distorcida pela ignorância dos homens, estão cortando as gargantas uns dos outros em nome de seus respectivos mitos. A soma da miséria humana nunca será diminuída até aquele dia em que grande parte da humanidade destruir, em nome da Verdade e da Compaixão, os altares de seus falsos deuses.
Em nossos templos não há deuses, apenas o respeito à memória do mais iluminado dos homens. Nossos lamas aceitam comida, nunca dinheiro, e em nossos templos a origem do mal é explicada ao povo. Lá são ensinadas as quatro nobres verdades e a cadeia de causação interdependente (nidanas) lhes dá uma solução para o problema da origem do sofrimento e sua destruição.
Leia o Mahavagga e tente compreender, não com a mente ocidental preconceituaosa, mas com o espírito de intuição e de verdade o que o Buda Iluminado diz no 1º Khandhaka. Permita que eu traduza para você.
”Na época em que o abençoado Buda estava em Uruvela, às Margens do rio Neranjara, quando descansava sob a árvore da sabedoria Bodhi, mantendo sua mente fixa na cadeia de causação (nidanas) ele falou assim: ‘da Ignorância (avidya) surgem os samskharas (germes e tendências karmicas estabelecidos em vidas anteriores fruto de impressões deixadas na mente pelas ações e circunstâncias)... os samskharas de natrureza tríplice – produtos do corpo, da fala e do pensamento. Dos samskharas surge consciência, da consciência surgem nome e forma, deles surgem as seis regiões dos sentidos; deste surge o contato, deste a sensação; desta surge a ânsia e desejo, e disso o apego, a existência, o nascimento, a velhice, a morte, a aflição, a lamentação, o sofrimento, o desânimo e o desespero. No sentido inverso, pela destruição da Ignorância, raiz do sofrimento, os samskharas são destruídos, e a consciência deles, nome e forma, as seis regiões, o contato, a sensação, o apego (egoísmo), a existência, nasciemtno, velhice, morte, o sofrimento são destruídos. Assim é a cessação de toda essa massa de sofrimento.”
Sabendo disso, o Ser Abençoado fez esta afirmação solene:

fonte: Cartas dos Mahatmas para A.P.Sinnet"

sexta-feira, 12 de março de 2010

OS SINAIS DA MORTE

Existem dois tipos de sinais da morte: distantes e próximos. Para vivenciar os sinais distantes, não é preciso estar enfermo. Eles ocorrem entre seis e três meses antes da morte e são de três tipos: corporais, mentais e sonhados. Não indicam necessariamente que vamos morrer logo mas, se persistirem, é provável que nossa morte seja iminente. Conhecendo-os, saberemos identificar sua ocorrência, e isso servirá para fazer as preparações para nossa vida futura.
Eis alguns sinais corporais distantes: soluçar continuamente ao urinar ou defecar, não ouvir o zumbido interno do ouvido ao tapá-lo; o sangue não voltar com rapidez as unhas quando apertamos ou relaxamos a pressão; não sentir gosto ou cheiro das coisas sem motivo algum; esfriamento do hálito, encolhimento da língua; não ver sombras e formas coloridas ao pressionar o globo ocular no escuro; ter a alucinação de um sol à noite, parar de salivar, não ver os raios de energia fluírem pela coroa da cabeça ao olhar para própria sombra numa manhã de sol.

Eis alguns sinais mentais da morte: mudança do temperamento atual; sem motivo, deixar de gostar da própria casa, de amigos e de outros objetos de apego; sentir tristeza sem razão alguma; perda de força, clareza de nossa sabedoria e inteligência.

Os sinais sonhados, sonhos repetidos de que estamos caindo de uma montanha elevada; viajando nus ou sozinhos através de um deserto rumo ao sul.

E assim um praticante atento pode perceber sua morte, se preparar para ela, vivendo significativamente e morrendo alegremente e então realizar seu canto de cisne: Os cisnes quando percebem que vão morrer, cantam felizes como jamais cantaram , pois percebem a felicidade que vão usufruir na próxima vida.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Seria Socrátes um Buda, um Desperto, Um iluminado parte I

Trecho do Fédon de Platão, o ultimo dia de vida de Socrátes

Só há uma moeda verdadeira, pela qual tudo isso deva
ser trocado: a sabedoria. E só por troca com ela, ou com ela mesma, é que em verdade se
compra ou se vende tudo isto: coragem, temperança e justiça, numa palavra, a verdadeira
virtude, a par da sabedoria, pouco importando que se lhe associem ou dela se afastem
prazeres ou temores e tudo o mais da mesma natureza. Separadas da sabedoria e
permutadas entre si, todas elas não são mais do que sombra de virtude, servis em toda a
linha e sem nada possuírem de verdadeiro nem são. A verdade em si consiste,
precisamente, na purificação de tudo isso, não passando a temperança, a justiça, a coragem
e a própria sabedoria de uma espécie de purificação. É muito provável que os instituidores
de nossos mistérios não fossem falhos de merecimento e que desde muitos nos quisessem
dar a entender por meio de sua linguagem obscura que a pessoa não iniciada nem
purificada, ao chegar ao Hades vai para um lamaçal, ao passo que o iniciado e puro, ao
chegar lá passa a morar com os deuses. Porque, como dizem os que tratam dos mistérios:
muitos são os portadores de tirso, porém pouquíssimos os verdadeiros inspirados

Seria Socrátes um Buda, um Desperto, Um iluminado parte II

Trechos do Fédon de Platão que conta o último dia de vida de Sócrates:

Embora os homens não o percebam, é possível que todos os que se dedicam
verdadeiramente à Filosofia, a nada mais aspirem do que a morrer e estarem mortos. Sendo isso um fato, seria absurdo, não fazendo outra coisa o filósofo toda a vida, ao chegar esse
momento, insurgir-se contra o que ele mesmo pedira com tal empenho e em pós do que
sempre se afanara..Morrer, então, consistirá em
apartar-se da alma o corpo, ficando este reduzido a si mesmo e, por outro lado, em libertarse
do corpo a alma e isolar-se em si mesma? Ou será a morte outra coisa?
Não; é isso, precisamente, respondeu.
Considera agora, meu caro, se pensas como eu. Estou certo de que desse modo
ficaremos conhecendo melhor o que nos propomos investigar. És de opinião que seja
próprio do filósofo esforçar-se para a aquisição dos pretensos prazeres, tal como comer e
beber?
De forma alguma, Sócrates, replicou Símias.
E como relação aos prazeres do amor?
A mesma coisa.
E os demais prazeres, que entendem com os cuidados do corpo? És de parecer que
lhes atribua algum valor? A posse de roupas vistosas, ou de calçados e toda a sorte de
ornamentos do corpo, que tal achas? Eles os aprecia ou os despreza no que não for de
estrita necessidade?
Eu, pelo menos, respondeu, sou de parecer que o verdadeiro filósofo os despreza.
Sendo assim, continuou, não achas que, de modo geral, as preocupações dessa pessoa,
não visam ao corpo, porém tendem, na medida do possível, a afastar-se dele para
aproximar-se da alma?
É também o que eu penso.
Nisto, por conseguinte, antes de mais nada, é que o filósofo se diferencia dos demais
homens: no empenho de retirar quanto possível a alma na companhia do corpo.
Evidentemente.
Essa é a razão, Símias, de, na opinião da maioria dos homens, não merecer viver o
indivíduo a quem nada disso é agradável e que não se importa com tais práticas, por acharse
muito mais perto da condição de morto e por não dar a menor importância aos prazeres
alcançados por intermédio do corpo.
Tens razão.
X – E como referência à aquisição do conhecimento? O corpo constitui ou não
constitui obstáculo, quando chamado para participar da pesquisa? O que digo é o seguinte:
a vista e o ouvido asseguram aos homens alguma verdade? Ou será certo o que os poetas
não se cansam de afirmar, que nada vemos nem ouvimos com exatidão? Ora, se esses dois
sentidos corpóreos não são nem exatos nem de confiança, que diremos dos demais, em tudo
inferiores aos primeiros? Não pensas desse modo?
Perfeitamente, respondeu.
Então, perguntou, quando é que a alma atinge a verdade? É fora de dúvida que, desde
o momento em que tenta investigar algo na companhia do corpo, vê se lograda por ele.
Tens razão.
E não é no pensamento – se tiver de ser de algum modo – que algo da realidade se lhe
patenteia?
Perfeitamente.
Ora, a alma pensa melhor quando não tem nada disso a perturbá-la, nem a vista nem o
ouvido, nem dor nem prazer de espécie alguma, e concentrada ao máximo em si mesma,
dispensa a companhia do corpo, evitando tanto quanto possível qualquer comércio com ele,
e esforça-se por apreender a verdade.
Certo.
E não é nesse estado que a alma do filósofo despreza o corpo e dele foge, trabalhando
por concentrar-se em si própria?
Evidentemente.
E com relação ao seguinte, Símias: afirmaremos ou não que o justo em si mesmo seja
alguma coisa?
Afirmaremos, sem dúvida, por Zeus.
E também o belo em si e o bem?
Também.
E algum dia já percebeste com os olhos qualquer deles?
Nunca, respondeu.
Ou por intermédio de outro sentido corpóreo? Refiro-me a tudo: grandeza, saúde,
força e o mais que for, numa palavra: à essência de tudo o que existe, conforme a natureza
de cada coisa. É por intermédio do corpo que percebemos o que neles há de verdadeiro, ou
tudo se passará da seguinte maneira: quem de nós ficar em melhores condições de pensar
em si mesmo o mais exatamente possível o que se propõe examinar, não é esse que estará
mais perto do conhecimento de cada coisa? Ou não?
Perfeitamente.
E não alcançará semelhante objetivo da maneira mais pura quem se aproximar de
cada coisa só com o pensamento, sem arrastar para a reflexão a vista ou qualquer outro
sentido, nem associá-los a seu raciocínio, porém valendo-se do pensamento puro, esforçarse
por apreender a realidade de cada coisa em sua maior pureza, apartado, quanto possível,
da vista e do ouvido, e, por assim dizer, de todo o corpo, por ser o corpo fator de
perturbação para a alma e impedi-la de alcançar a verdade e o pensamento, sempre que a
ele se associa? Não será, Símias, esse indivíduo, se houver alguém em tais condições, que
alcançara o conhecimento do Ser?
Tens toda a razão, Sócrates, respondeu Símias.
XI – Por tudo isso, continuou, é natural nascer no espírito dos filósofos autênticos
certa convicção que os leva a discorrer entre eles mais ou menos nos seguintes termos: Há
de haver para nós outros algum atalho direto, quando o raciocínio nos acompanha na
pesquisa; porque enquanto tivermos corpo e nossa alma se encontrar atolada em sua
corrupção, jamais poderemos alcançar o que almejamos. E o que queremos, declaremo-lo
de uma vez por todas, é a verdade. Não têm conta os embaraços que o corpo nos apresta,
pela necessidade de alimentar-se, sem falarmos nas doenças intercorrentes, que são outros
empecilhos na caça da verdade. Com amores, receios, cupidez, imaginações de toda a
espécie e um sem número de banalidades, a tal ponto ele nos satura, que, de fato, como se
diz, por sua causa jamais conseguiremos alcançar o conhecimento do quer que seja. Mais,
ainda: guerras, batalhas, dissensões, suscita-as exclusivamente o corpo com seus apetites.
Outra causa não têm as guerras senão o amor do dinheiro e dos bens que nos vemos
forçados a adquirir por causa do corpo, visto sermos obrigados a servi-lo. Se carecermos de
vagar para nos dedicarmos à Filosofia, a causa é tudo isso que enumeramos. O pior é que,
mal conseguimos alguma trégua e nos dispomos a refletir sobre determinado ponto, na
mesma hora o corpo intervém para perturbar-nos de mil modos, causando tumulto e
inquietude em nossa investigação, até deixar-nos inteiramente incapazes de perceber a
verdade. Por outro lado, ensina-nos a experiência que, se quisermos alcançar o
conhecimento puro de alguma coisa, teremos de separar-nos do corpo e considerar apenas
com a alma como as coisas são em si mesmas. Só nessas condições, ao que parece, é que
alcançaremos o que desejamos e do que nos declaramos amorosos, a sabedoria, isto é,
depois de mortos, conforme nosso argumento o indica, nunca enquanto vivermos. Ora, se
realmente, na companhia do corpo não é possível obter o conhecimento puro do que quer
que seja, de duas uma terá de ser: ou jamais conseguiremos adquirir esse conhecimento, ou
só o faremos depois de mortos, pois só então a alma se recolherá em si mesma, separada do
corpo, nunca antes disso. Ao que parece, enquanto vivermos, a única maneira de ficarmos
mais perto do pensamento, é abstermo-nos o mais possível da companhia do corpo e de
qualquer comunicação com ele, salvo e estritamente necessário, sem nos deixarmos saturar
de sua natureza sem permitir que nos macule, até que a divindade nos venha libertar. Puros,
assim, e livres da insanidade do corpo, com toda a probalidade nos uniremos a seres iguais
a nós e reconheceremos por nós mesmos o que for estreme de impurezas. É nisso,
provavelmente, que consiste a verdade. Não é permitido ao impuro entrar em contato com o
puro. – Eis aí, meu caro Símias, quero crer, o que necessariamente pensam entre si e
conversam uns com os outros os verdadeiros amantes da sabedoria. Não é esse, também, o
teu modo de pensar?
Perfeitamente, Sócrates.
XII – Por conseguinte, companheiro, continuou Sócrates, se tudo isso estiver certo, há
muita esperança de que somente no ponto em que me encontro, e mais em tempo algum, é
que alguém poderá alcançar o que durante a vida constitui nosso único objetivo. Por isso, a
viagem que me foi agora imposta deve ser iniciada com uma boa esperança, o que se dará
também com quantos tiverem certeza de achar-se com a mente preparada e, de algum
modo, pura.
Isso mesmo, observou Símias.
E purificação não vem a ser, precisamente, o que dissemos antes: separar do corpo,
quanto possível, a alma, e habituá-la a concentrar-se e a recolher-se a si mesma, a afastar-se
de todas as partes do corpo e a viver, agora e no futuro, isolada quanto possível e por si
mesma, e como que libertada dos grilhões do corpo?
É muito certo, respondeu.
E o que denominamos morte, não será a liberação da alma e seu apartamento do
corpo?
Sem dúvida, tornou a falar.
E essa separação, como dissemos, os que mais se esforçam por alcançá-la e os únicos
a consegui-la não são os que se dedicam verdadeiramente à Filosofia, e não consiste toda a
atividade dos filósofos na libertação da alma e na sua separação do corpo?
Exato.
Sendo assim, como disse no começo, não seria ridículo preparar-se alguém a vida
inteira para viver o mais perto possível da morte, e revoltar-se no instante em que ela
chega?
Ridículo, como não?
Logo, Símias, continuou, os que praticam verdadeiramente a Filosofia, de fato se
preparam para morrer, sendo eles, de todos os homens, os que menos temor revelam à idéia
da morte. Basta considerarmos o seguinte: se de todo o jeito eles desprezam o corpo e
desejam, acima de tudo, ficar sós com a alma, não seria o cúmulo do absurdo mostrar medo
e revoltar-se no instante em que isso acontecesse, em vez de partirem contentes para onde
esperam alcançar o que a vida inteira tanto amara – sim, pois eram justamente isso: amantes
da sabedoria.

Por consequência, continuou, ao vires um homem revoltar-se no instante de
morrer, não será isso prova suficiente de que não trata de um amante da sabedoria, porém
amante do corpo? Um indivíduo nessas condições, também será, possivelmente, amante do
dinheiro ou da fama, se não o for de ambos ao mesmo tempo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O que é a mente?

Alguns pensam que a mente é o cérebro ou qualquer outra parte ou função do corpo, mas não é verdade. O cérebro é um objeto físico que pode ser visto, fotografado ou submetido a uma cirurgia. Ele é apenas o orgão físico onde se manifesta a mente.

A mente, por outro lado, não é algo material. Ela não pode ser vista com os olhos nem fotografada ou operada. Portanto, o cérebro não é a mente, mas apenas uma parte do corpo.

Não há nada dentro do corpo que possa ser identificado como sendo nossa mente, porque nosso corpo e mente são entidades diferentes. Por exemplo, às vezes nosso corpo está descontraído e imóvel, e a mente em plena atividade, movendo-se rapidamente de um objeto para outro. Isso indica que nosso corpo e mente não são a mesma entidade.

Nas escrituras budistas, nosso corpo é comparado a uma hospedaria, e a mente, ao hóspede que ali reside. Quando morremos, a mente deixa o corpo e vai para uma próxima vida, como um hóspede que sai de uma hospedaria e vai para outro lugar.

Se a mente não é o cérebro nem outra parte qualquer do corpo, o que ela é? A mente é um continuum sem forma, que tem como função perceber e entender os objetos. Sendo, por natureza, algo sem forma, ou não corpóreo, ela não pode ser obstruída por objetos físicos.

É muito importante conseguir distinguir estados mentais agitados de estados mentais pacíficos. Os estados mentais que perturbam nossa paz interior, como raiva, inveja e apego desejoso, são denominados ‘delusões’ e são as principais causas de todo o nosso sofrimento.

Talvez pensemos que nosso sofrimento seja provocado por outras pessoas, pela falta de condições materiais ou pela sociedade, mas, na realidade, ele vem dos nossos próprios estados mentais deludidos. A essência da prática espiritual consiste em reduzir e, por fim, erradicar totalmente nossas delusões, substituindo-as por paz interior permanente. Esse é o verdadeiro significado da nossa vida humana.

O ponto essencial que aprendemos ao entender a mente é que a libertação do sofrimento não pode ser encontrada fora da mente. A libertação permanente só pode ser alcançada por meio da purificação da mente. Sendo assim, se quisermos nos livrar dos problemas e alcançar paz duradoura e felicidade, precisamos aumentar nosso conhecimento e compreensão da mente.

TUDO É COMO UM SONHO

A experiência onírica é outro exemplo freqüentemente usado para ilustrar a vacuidade. Podemos ter experiências extremamente intensas em nossos sonhos. Viajamos por terras pitorescas, encontramos pessoas atraentes ou aterrorizantes, envolvemo-nos em diversas atividades que nos causam prazer, sofrimento ou dor. Em sonho, um mundo inteiro se apresenta diante de nós, funcionando a seu modo.

Esse mundo tanto pode se assemelhar ao mundo do estado de vigília como pode ser bastante bizarro. Contudo, ambos os casos enquanto estivermos sonhando, ele nos aparecerá absolutamente real. É muito raro que tenhamos a mais leve suspeita de que tudo isso seja apenas um sonho. O mundo no qual vivemos durante o sonho parece ter sua própria existência, com total independência de nossa mente; além disso, nossas reações a esse mundo são as mesmas de sempre – desejo, raiva, medo etc.

Se decidirmos testar a realidade de nossas sensações durante o sonho – por exemplo, apalpando os objetos ao nosso redor ou interrogando as pessoas presentes -, provavelmente obteremos respostas que tenderão a confirmar a realidade do ambiente onírico. Acordar é a única maneira segura de sabermos que estávamos sonhando.

Nesse momento, compreendemos, instantaneamente, e sem sombra de dúvida, que o mundo experienciado no sono era enganoso e não passava de uma mera aparência à nossa mente. Quando acordamos, torna-se evidente que a experiência de sonho não existe de seu próprio lado, mas depende por completo da mente. Por exemplo, se sonharmos com um elefante, o elefante sonhado será uma mera aparência à mente e não poderá ser encontrado em nossa cama, tampouco em qualquer outro lugar.

Se examinarmos com cuidado, compreenderemos que os mundos dos estados desperto e onírico existem de maneira muito semelhante. Nosso mundo do estado desperto, tal como acontece com o mundo do sonho, aparece-nos de modo muito vívido e parece ter existência própria, independente da mente. Acreditamos que essa aparência é verdadeira e reagimos a ela gerando desejo, raiva, medo etc., exatamente como num sonho.

Se tentarmos testar superficialmente a realidade do mundo desperto, nossa opinião terá, mais uma vez, uma aparente confirmação. Quando tocados, os objetos que nos rodeiam parecerão sólidos e reais; quando questionadas, as pessoas dirão que estão os mesmos objetos, da mesma maneira que nós.

Contudo, não devemos aceitar essa aparente confirmação da existência inerente dos objetos como conclusiva, pois já sabemos que testes similares foram incapazes de revelar a verdadeira natureza do mundo sonhado. Para entender a real natureza do mundo de vigília, precisamos investigar com profundidade, recorrendo ao tipo de análise anteriormente apresentado. Quando, agindo assim, realizarmos a vacuidade, compreenderemos que objetos como nosso corpo não existem de seu próprio lado. Não passam de meras aparências à nossa mente, como elefantes sonhados. Não obstante, assim como o mundo de sonhos funciona a seu modo, nosso mundo também funciona seguindo suas próprias regras aparentes, de acordo com as leis de causa efeito.

Assim, a experiência de realizar a vacuidade pode ser comparada ao despertar. Quando realizamos a vacuidade, vemos, com clareza e sem dúvida, que o mundo que experienciávamos antes era engano e falso. Ele aparecia ter sua própria existência inerente; entretanto, ao realizar a vacuidade, compreendemos que é inteiramente vazio desse tipo de existência e depende de nossa mente. Isso explica porque, às vezes, Buda é chamado de “O Desperto” – aquele que despertou do sono da ignorância.

O ser e a sociedade

Para produzir tudo aquilo que achamos que nos trará felicidade, poluímos a tal ponto nosso meio ambiente, que hoje o ar que respiramos e a água que bebemos ameaçam nossa saúde e bem estar. Amamos a liberdade e independência que um carro nos proporciona, mas o custo disso em termos de acidentes e destruição ambiental é enorme.

Achamos que dinheiro é essencial para aproveitarmos a vida, mas a corrida pelo dinheiro também acarreta imensos problemas e ansiedades. Até nossos familiares e amigos, com quem desfrutamos de tantos momentos felizes, podem nos causar muita preocupação e tristeza. (Geshe-la, Transforme sua vida, pp. 13, 14, 15)

Nossa visão normal é de que nossas experiências diárias, tanto as desagradáveis como as agradáveis, advêm de fontes exteriores. Seguindo essa visão, dedicamos toda a mossa vida para melhorar nossas condições exteriores; mas, apesar disso, nossos problemas e sofrimentos humanos crescem a cada ano. Isso indica claramente que nosso ponto de vista comum é incorreto e só nos engana. (Geshe-la)