quarta-feira, 16 de setembro de 2009

OS ANTIGOS MISTÉRIOS

Existe no Extremo Oriente uma crença antiga, e largamente difundida, numa galáxia de espíritos esclarecidos que vivem à parte das regiões inacessíveis da Ásia. Os historiadores e os filósofos da Grécia e de Roma da antiguidade mencionam igualmente essa tradição nas suas narrativas. O grande Pitagóras relata a viagem de Apolónio de Tiana ( senão me falha a memória) para uma região para além dos Himalaias que não pode deixar de ser o Tibete.

Nota-se o facto que Pitágoras e Apolonio estiveram em contato com um sistema muito velho de instrução iniciática conhecido como Grande Mistérios. Enquanto os Mistérios Menores eram simplesmente os cultos populares. os Grandes Mistérios eram reservados a um círculo restrito de espíritos cultos capazes de se elevarem acima do nível médio das massas.

"Deixai aproximar-se aquele cujas mãos estão puras e cujas as palavras são sábias," diz Celso (secII) a propósito das condições de admissão a esses mistérios. Uma narrativa, deixada por um escritor antigo a respeito dos iniciados, diz "que eles estão em posição de conhecer a significação do engima da existência pela observação dos seus objetivos e dos seus fins, tal como foram designados por Zeus". Estas citações oferecem um bom fio condutor para o conteúdo filosófico dos Grandes Mistérios.

Há dezenove séculos, Fílon, o Judeu, escrevia, a propósito dos Grandes Mistérios, as notáveis linhas que se seguem:


"Vós,ó iniciados, vós cujos os ouvidos estão purificados recebam isto em vossas almas como um mistério que jamais deve ser perdido! Não revelais a nenhum profano! Guardai-o e conservai-o em vós mesmos como um tesouro incorruptível, não como o ouro e a prata, mas mais precioso do que qualquer outra coisa- porque é o conhecimento da Grande Causa, da Natureza, e do que nasceu das duas."

No Egito, na Grécia, na Babilônia ou na Índia, aquele que aspirasse a iniciação, esperava revelações contemplando o infinito durante noites consteladas de estrelas. Assim Pitágoras encontrou as sete notas da escala e a "harmonia das esferas", o sentido filosófico dos números e a forma redonda da Terra. De maneira idêntica, Platão descobriu que as ideias abstratas formavam, por si mesmas, um mundo invisível. A natureza eterna do universo foi revelada a Heraclíto do Ponto. A maior parte da filosofia grega teve sua origem nos Mistérios do Egito. Pitagóras e Platão foram instruidos pelos grandes sacerdotes do vale do Nilo.
Heródoto, o grande historiador da antiguidade, falou dos Mistérios com um respeito muito grande: "Imponho-me um profundo silêncio acerca desses Mistérios, a maior parte dos quais não são conhecidos"

Os Mistérios usaram sempre uma linguagem hermética para salvaguardar os conhecimentos secretos. As palavras de Platão, numa carta a Denys, o jovem,podem servir de exemplo a esta velha prática: "Devo escrever-vos em enigma", observa: "para que a minha missiva se for interceptada por terra ou por mar, não possa, em nenhum grau ser de conhecimento, ser entendida por aquele que a ler". Considerando o simbolismo velado dos Grande Mistérios, "os seus ensinamentos são initeligíveis para os loucos", diziam os iniciados.

Ao longo da história, estes homens superiores ( iluminados, bodhisatwas) ouviram muito, falaram pouco e agiram como devia ser.

Parece que houve constantes trocas de conhecimentos entre grupos de iniciados da Ásia e os da bacia mediterrânea, apesar das enormes distãncias que os separavam. Esse fato explica a razão pela qual a doutrina pitagórica da reencarnação apareceu subitamente em Crotona ( sul da Itália), ensino que não era estranho no Egito, foi provavelmente trazido por Pitágoras da Índia.

Segundo Cícero e Virgílio, os Mistérios ensinavam a doutrina da reencarnação precisando que as dificuldades e as tristezas desta vida eram uma expiação dos erros e dos pecados anteriores.

A admissão aos Grandes Mistérios exigia complicadas cerimônias, chamadas iniciações. Atráves das obras dos autores clássicos, parece evidente que se manifestavam fenômenos extraordinários enquanto esses ritos se realizavam.

Platão, em Fedra, descreve essa impressões: "Tornamos-nos espectadores de visões perfeitas, simples , imutáveis e abençoadas, que consistem numa pura Luz". Procles, séc V, acrescenta que os Deuses apresentam muitas formas de si próprios, aparecem sob aspectos variados e por vezes oferecem à vista apenas a aparência de uma luminosidade sem contorno.

Os Mistérios receberam os maiores elogios de uma grande parte dos espiritos esclarecidos dos tempos antigos: Píndaro, Platão, Plutarco, Eurípedes, Cícero, Epicteto, Marco Aurélio e muitos outros. As narrativas dos grandes pensadores mostram o respeito que tinham pelos mistérios. E uma verdade histórica que a grande ciência, o imenso saber e a alta filosofia das Escolas dos Mistérios Egípcios estimularam os homens mais eminentes da idade clássica.

O caráter cósmico e significativo dos Grandes Mistérios torna-se aparente, partindo da doutrina fundamental de que a Terra é para o homem, simplesmente, um lugar de exílio e de que o espaço sideral é a sua verdadeira morada.

Assim, uma associação de Homens Sábios, mundialmente disseminada, foi criada na aurora da civilização e conseguiu conservar a Antiga Sabedoria durante milhares de anos. Alguns estão na Europa, outros na África, nos Himalaias, no coração da Ásia e também da América do Sul, estão ligados entre si pela harmonia que tem na alma, e assim formam um só corpo. Compreendem-se uns aos outros, embora falem linguas diferentes, porque a linguagem dos sábios é uma percepção espiritual. Prosseguem em segredo estudos filosóficos e cientificos sem se arriscarem as troças do mundo. Viviam por vezes no seu país, no seio de uma religião reconhecida, e pertenciam ao escol da sua terra. Noutras ocasiões, estavam fora da sua esfera, completamente ignorados como iniciados.

As escolas dos Mistérios do Egito, da Índia, da Grécia, da China e de outros paises da antiguidade podiam servir de exemplos ao costume de perpetuar o antigo saber. Segundo autores clássicos, os historiadores e os textos antigos, parece que os particpantes dos Grandes Mistérios eram homens de vistas largas, de uma elevada moralidade e de uma compreensão profunda. estudavam não só o homem, mas o universo. Estabelecia-se no mundo uma cadeia entre todos os centros, e quando qualquer civilização precisava receber, de ser incitada por um estimulo, rapidamente era socorrida pelos outros ramos dessa irmandade mundial. este fato explica a súbita onda de novas ideias durante certos períodos históricos e as mudanças radicais que acompanharam a sua adoção.

Os lendários Mahatamas dos Himalaias não são iniciados isolados, mas membros de uma confraria consagrada a ressureição espiritual da humanidade. Esta foi, pelo menos, a crença geral dos povos da Índia e do Tibete.


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