domingo, 26 de setembro de 2010

Sobre as imagens de Buda


Se consideramos a imagem de Buda é o próprio Buda e fizermos prostrações, oferendas e pedidos diante dela, nossas ações terão o mesmo valor ou mérito que teriam se estivessem sendo feitas diante de um Buda em pessoa. Buda Sakyamuni disse:

"Agora meus quatro discípulos e outros fazem oferendas pessoalmente. Com fé, muitas pessoas farão, no futuro, oferendas diante de uma imagem que represente a minha forma. Essas ações tem o mesmo significado."

Com a mente impura que temos atualmente só há duas maneiras de vermos um Buda: na forma de nosso guia espiritual ou na forma de uma imagem, com a que temos em nosso altar. Devido as nossas obstruções cármicas, percebemos essas formas como impuras, mas nossas obstruções não existem por si só. A medida que nossa mente se tornar mais virtuosa, iremos percebendo as imagens de Buda de outra maneira. Quando nossa mente for pura, perceberemos a imagem de Buda como sendo o seu corpo- emanação, e não como uma mera obra de arte. Quando tivermos alcançado a concentração do Dharma continuum, vamos percebê-la como o seu corpo emanação supremo e poderemos receber instruções diretamente dele, assim como Atisha recebia as instruções da estátua de Arya Tara. Quando atingirmos o primeiro solo espiritual de um Bodhisattva, perceberemos a imagem de Buda como o seu corpo-fruição e, quando atingirmos a plena iluminação, perceberemos a imagem de Buda como o seu corpo verdade.

Em tempo: As imagens do Buda gordo surgiram durante a dinastia Sung (960 -1275) na China.As imagens do Buda gordo representam a fortuna interior e a prosperidade para o bem. Sakyamuni Buda era magro, porém as imagens do budismo chinês tem o mesmo valor e devem ser respeitadas igualmente.

Sobre a foto da ilustração: Localizada em Ngong Ping, em Hong Kong, a estátua de Buda mede 34 m de altura e pesa 280 t. Para acessá-la, os visitantes precisam subir 268 degraus. O monumento foi inaugurado em 1993, levou quase três anos para ser construído

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A origem do sofrimento

Cada vez que temos um problema, pensamos que foi causado por circunstâncias particulares e que, mudando-as, o problema desaparecerá. Culpamos as outras pessoas, nossos amigos, nossa comida, o governo, o tempo, a sociedade, a história, e assim por diante. Entretanto, circunstâncias exteriores como essa como essas não são as causas de nossos problemas problemas. Todos são causados, principalmente por nossas ações passadas e, quando estão amadurecendo, não há mais como como evitá-los. Portanto, em vez de fugir deles através de novas situações de vida, devemos identificar tais experiências dolorosas como conseqüência de nossas próprias ações prejudiciais e gerar um desejo sincero de abandonar suas causas. Em outras palavras, a resposta mais construtiva a nossos problemas consiste em gerar sincera renúncia, reconhecendo que o sofrimento que criamos para nós mesmos são a verdadeira natureza do nosso samsara.

Devemos meditar nos sofrimentos e chegarmos a um firme conclusão:

Já experiencei tais sofrimentos muitas e muitas vezes no passado e, se não atingir a libertação, terei de experienciar tudo de novo, repetidamente, no futuro. Portanto, preciso escapar do samsara.

Quando essa determinação surgir com clareza e precisão em nossa mente, faremos a meditação posicionada.

Fonte: extraído do livro Caminho Alegre da Boa Fortuna de Gesh Kelsang Gyatso

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Buda e a história de Magadabatri

Na época de Buda Shakyamuni, vivia uma jovem senhora chamada Magadabatri, que tinha imensa fé em Buda e em seus discípulos.

Ela morava em outro país com o seu marido, que não era budista, e a família dele.

Embora a família fosse frequentemente visitada por um venerável professor não-budista, Magadabatri não se sentia satisfeita com isso, e não se cansava de elogiar as qualidades do seu próprio professor, Buda Shakyamuni.

De tanto ouvi-la, a sogra começou a sentir grande fé em Buda e pediu a Magadabatri que o convidasse a visitá-los.

Quando ela lhes prometeu que Buda e seu séquito chegariam no dia seguinte, todos custaram a acreditar. Disseram que, mesmo se Buda já estivesse a caminho, era impossível que chegasse em tão pouco tempo.

Magadabatri subiu ao telhado da casa, ofereceu flores e incenso e pediu a Buda que viesse visitá-la, recitando a prece de convite ao Campo de Mérito.

Buda escutou o pedido da moça por meio de seus poderes de clarividência e convocou seus quinhentos discípulos Destruidores de Inimigos, dizendo que aqueles que tivessem poderes miraculosos poderiam acompanhá-lo no dia seguinte.

Um deles, não querendo ser deixado para trás, meditou a noite inteira a fim de obter os poderes miraculosos necessários para voar ao lado de Buda!

Enquanto isso, a sogra de Magadabatri avisou toda a vizinhança que Buda Shakyamuni chegaria naquele dia, acompanhado por quinhentos discípulos: "Magadabatri contou-me que eles virão voando diretamente das terras de seu pai!".

Houve grande surpresa e excitação. Formaram-se grupos nos pontos mais altos da vizinhança, e todos olhavam para o céu, tentando descobrir de qual direção Buda viria.

Para beneficiar a todos, Buda emanou dezoito formas similares à sua, uma em cada portão da cidade.

Embora um único Buda tenha entrado na casa de Magadabatri, todos os habitantes da região conseguiram vê-lo e desenvolveram profunda fé nele. Daí em diante, engajaram-se plenamente na prática do Darma.

FÉ, a fonte de todas aquisições.


adaptado do livro Caminho Alegre da Boa Fortuna de Gesh Kelsang Gyatso (p66)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A DOENÇA HUMANA DA INSATISFAÇÃO

Incontáveis são os desejos mas, por mais que nos esforcemos, temos sempre a impressão que nunca foram satisfeitos. Mesmo quando obtemos o que queremos, não é do jeito que esperávamos. O objeto é nosso, mas não extraímos satisfação por possuí-lo. Por exemplo, se o nosso sonho for enriquecer, quando tivermos enriquecido a vida não será como havíamos imaginado e não acharemos que nosso desejo não foi satisfeito. Isso acontece porque nossos desejos não diminuem a medida que nossa riqueza aumenta. Quanto mais temos, mais queremos. A riqueza que perseguimos nunca será encontrada, porque não há riqueza capaz de saciar nossos desejos. Para piorar as coisas, ao tentar obter um objeto almejado, criamos novas ocasiões de descontentamento. Cada objeto de desejo vem acompanhado de outros indesejáveis. Por exemplo, com a riqueza vem os impostos, insegurança e complexos assuntos financeiros. Essas implicações indesejáveis impedem-nos de sentir que realmente obtivemos o que queríamos.
Refletindo vamos ver que nossos desejos são descomedido. Desejamos tudo que há de melhor no samsara ( o renascimento e a vida descontrolada)- o melhor emprego, o melhor parceiro, a melhor reputação, a melhor casa, o melhor carro, as melhores férias. Qualquer coisa que não seja a melhor nos deixa um sabor de decepção. Assim, continuamos a procurar sempre, sem nunca encontrar o que queremos. Na realidade, nenhum objeto impermanente é capaz de nos oferecer a satisfação completa e perfeita que desejamos. Coisas melhores estão sempre sendo produzidas.Propagandas anunciam por toda parte a a chegada da última novidade do mercado mas, após alguns dias, chega outra que supera da véspera. A produção de novidades para cativar nossos desejos é interminável.
Talvez pensemos que as pessoas que levam uma vida mais simples no campo estejam contentes. Entretanto, um olhar mais atento revela que procuram mas não acham o que querem. Não desfrutam de uma verdadeira paz e satisfação, e suas vidas estão cheias de problemas e ansiedades. Seu sustento depende de muitos fatores incertos e completamente fora de controle, como por exemplo, o tempo. Nas cidades os homens de negócio tampouco passam imunes pelo descontentamento. Ao caminhar elegantes e segurando suas pastas de executivos, costumam causar impressão de eficiência e autoconfiança. Mas as aparências enganam e e seus corações estão repletos de insatisfações. Continuam a buscar, sem nunca encontrar o que almejam.
refletindo sobre esse ponto, podemos ser levado a concluir que a solução para obter o que queremos está em renunciar a todas as nossas posses. Contudo, se checarmos, veremos que pobres também não acham que procuram. Eles não dispõem de necessidades básicas de sobrevivência. Mudar frequentemente de situação também não evita tal sofrimento. Alguém pode pensar que novos empregos, novos parceiros ou viajar pelo mundo afora são coisas que nos levam a obter o que desejamos. Porém, mesmo que viajássemos por todos os lugares do globo e tivéssemos uma nova amante a cada parada, continuaríamos a buscar um lugar diferente e uma amante nova. No samsara ( a vida sem controle, levados de uma situação a outra pela ondas das não virtudes e do carma) não existe a real satisfação de nossos desejos. como disse o VII Dalai Lama(( o atual é o XIV) :
" Todos os que vejo em posição superior ou subalterna, ordenados ou leigos, homens ou mulheres diferenciam-se somente na aparência, roupas comportamento ou status. Na essência, são todos iguais, todos experienciam problemas na vida.
Cada vez que temos um problema, pensamos que foi causado por circunstâncias particulares e que, mudando-as, o problema desaparecerá. Culpamos as outras pessoas, nossos amigos, nossa comida, o governo, o tempo, a sociedade, a história e assim por diante. Todos são efeitos, tudo é causa e efeito. Energia é causa, matéria é efeito. Nossas ações, pensamentos e sentimentos passados são a causa a energia...a vida é efeito. Portanto, em vez de fugir dos efeitos atráves de novas situações na vida, devemos identificar tais experiências dolorosas como conseqüência de nossas próprias ações prejudiciais e gerar um desejo sincero de abandonar suas causas. Essa sincera renúncia e uma satisfação com que temos faz com que aproveitemos cada minuto de nossa vida com alegria. Um mente alegre muda nossa energia, muda nossa vibração e faz com que coisas boas vão acontecendo naturalmente e o melhor sempre satisfeito. Alegria, chama alegria.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A HISTÓRIA DE SHANTIDEVA


Shantideva nasceu como príncipe herdeiro do trono de uma família real em Gujarat, um reino que era situado ao oeste da Índia. Seu pai era o rei Kushavalarmana ( Armadura de Virtude) e sua mãe era reconhecida como uma emanação de uma Buda Feminino Vjarayoguini. No seu nascimento o príncipe recebeu o nome de Shantivarmana ( Armadura da Paz).

Certa vez Shantivarmana fez um retiro de meditação, ele próprio também recebeu a visão direta de Manjushri ( O Buda da Sabedoria) e muitos outros augúrios proféticos.

Pouco tempo depois, o rei, seu pai faleceu e na noite anterior a coroação de Shantideva como herdeiro do trono. Manjushri lhe apareceu em um sonho e lhe orientou que devia deixar o trono e tornar-se um monge.Assim que acordou, ele fugiu do palácio e foi para floresta meditar. Manjushri lhe apareceu novamente e lhe deu uma espada simbólica de madeira e ao empunha-la obteve oito realizações perfeitas. Viajou então para o famoso mosteiro de Nalanda onde obteve o nome de ordenação de Shantideva ( o Deus da Paz)

Em Nalanda secretamente a noite praticava métodos profundos e exigentes do Tantra e dormia durante o dia. Os demais monges não sabendo que de fato ele fazia, achavam que ele apenas dormia e jocosamente apelidaram de o monge das 3 realizações: " comer, dormir e defecar". Julgando que Shantideva era uma ameaça a boa reputação do mosteiro resolveram armar uma cilada, convidaram para proferir uma palestra e assim sua ignorância seria exposta, pois erroneamente acreditavam que ele nada sabia sobre o Dharma ( a Lei, a Doutrina). Quando chegou o dia da palestra e da humilhação pública, Shantideva tomou o seu lugar e para o espanto geral proferiu um discurso em forma de poema que quando transcrito tornou- se o Guia do Estilo de Vida do Bodhisatwa ( clique aqui para ler o livro, eu pessoalmente recomendo a versão do meu guia espiritual, Gesh Kelsang Gyatso , fonte de tudo que aprendi sobre Budismo) até hoje( pois foi escrito no ano 900 dc) é o maior tratado de de orientações e instruções para se tornar um Bodhisatwa um ser destinado a plena iluminação. Enquanto Shantideva explicava o que seria o nono capitulo disse: Tudo é como o espaço e então levitou e subiu mais alto ainda e dessa forma foi proferido os dois últimos capítulos.

Logo em seguida foi para o sul da Índia onde havia uma grande fome e então proclamou: "Amanhã farei um ato de grande generosidade. No dia seguinte reuniu-se centenas de pessoas e então com uma única cuia de arroz alimentou todas elas. Por causa desse e de muitos outros grandes feitos as pessoas daquela região geraram grande fé em Shantideva e adotaram o estilo de vida Budista.

Ao longo de sua vida ele realizou incontáveis feitos para difundir os ensinamentos de Buda e ajudar a todos os seres.



terça-feira, 20 de julho de 2010

Sabedoria e conhecimento

A sabedoria é baseada sobre o conhecimento. Mas o conhecimento nem sempre é sabedoria. Não é um paradoxo. Existe um conhecimento objetivo, que é uma coleção de fatos irrelevantes. O homem sábio custa dar sua opinião, pois tem que descobrir os intangíveis. O homem que só tem o conhecimento é muito rápido em seus conceitos, pois não reconhece nem vê as vastas forças impoderáveis que operam no mundo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A mente muito sutil

Nas escrituras do sutra e do mahamudra, está dito:

" Se realizares tua própria mente, torna-se-ás um Buda ( termo que em sânscrito quer dizer desperto, iluminado); não deves procurar a budeidade em nenhum outro lugar. "

Está instrução é muito profunda. Indica que a mente pode ser conhecida em diferentes níveis. É possível compreender as mentes densas( todas as nossas mentes despertas normais), as sutis e a muito sutil( durante o sono, durante a morte; e para os praticantes do estágio de conclusão do tantra... no equilíbrio meditativo) e cada qual pode ser compreendida quer intelectualmente, por meio de uma imagem genérica, quer diretamente, por meio de experiência. Quando realizarmos a nossa mente muito sutil de modo direto, atingiremos uma realização superior da Clara luz e estaremos bem próximos de nos tornarmos um Buda. Em pouco tempo, essa realização se transformará na sabedoria onisciente de um Buda e nós, num grande ser iluminado.

Mas o que é a mente muito sutil? Mente sutil também é conhecida como mente raiz, por que todas as mentes nascem dela e nela voltam a se dissolver, é somente quando tivermos consciência dela é que lembraremos com clareza todas as nossas vidas passada, pois as mentes densas mudam vida após vida, não são elas que reencarnam e sim a muito sutil. Outro nome dado é de mente residente continua, por ser a única que sobrevive de uma vida para outra, se localiza em um diminuto vaculo, do tamanho de um grão de ervilha, no interior do canal central, na altura e no centro do chacra cardíaco. Na minha opinião, o famoso túnel que as pessoas que quase morreram relatam ter visto é o canal central, ou seja, as mentes se reuniram na mente raiz e dentro do canal central e por ali estavam saindo do corpo.

O importante é termos consciência de que mente e corpo são distintos e separados. Nós não somos o corpo! Praticantes que dominaram a pratica de transferência de consciência sabem disso por experiência própria, porque são capazes de ejetar a mente do corpo e ir para qualquer lugar, podendo até entrar no corpo de outros seres. Além disso, quando adormecemos e sonhamos a mente deixa o corpo físico e vaga por mundos de sonho, experienciando divertimentos e sofrimentos onírico, ao passo que o corpo físico permanece no mesmo lugar. No momento, muitos não são capazes de testemunhar essa separação, mas os meditadores realizados conseguem reter a continua -lembrança durante o sono e o sonho, percebem sua própria mente deixando o corpo físico, viajando por diferentes mundos e, mais tarde quando o sonho acaba regressando ao corpo.